6.6.09
Tempo de Vivente
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Renato Saldanha Lima
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8:11 PM
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1.3.09
Poema de Minuto
E se eu fosse poeta
e tivesse somente um minuto
para o primeiro e último poema?
Antes, poeta não seria,
ou, se fosse, seria um sem poemas,
posto que não os havia escrito nenhum
até o momento dessa ideia doida
de poema de minuto.
No entanto, como sucede a todo poeta que se preza
e que escreve na primeira pessoa,
o poema seria personalíssimo,
sanguíneo,
mucoso e, para dizer o comum,
visceral.
Mas o fato é que este poeta catou o minuto
e não, ao contrário, foi por ele colhido.
De modo que o poema se apresenta esbatido em tons violáceos.
Sem sangue, portanto,
mucos
ou vísceras.
Um poema que,
como os demais poemas,
passou-se em um minuto,
bestamente.
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Renato Saldanha Lima
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7:46 AM
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24.1.09
O Corredor
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Renato Saldanha Lima
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12:02 AM
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31.10.08
Catador
latas,
sacos,
monturos.
É papel limpo,
sujo,
muito papelão:
caixas de impressoras,
micros,
geladeiras,
tvs,
fogões.
Antigos furos:
jornais mortos,
revistas idas.
É ele quem junta tudo
sobre a carroça.
É ele próprio
quem carrega,
a cada dia,
a história da nação,
para reciclar.
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Renato Saldanha Lima
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11:39 PM
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1.8.08
Cruzeiro Lunar
A luz da lua,
lívida,
atordoa a cabeça nua.
Quereres mil.
Do não
jogo fora o til.
Com a nau ancorada
vou zarpar
por um mar revolto,
lunar.
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Renato Saldanha Lima
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2:09 AM
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