As mãos eu mergulho
em rios de sangue
Ela ergue a cabeça a procurar
nas nuvens brancas
Anjos cândidos
A vida é bela
vista da perspectiva
das janelas
dos olhos dela
Sobre a terra
Anjos caídos
são pisoteados por hordas de famintos
por turbas de fanáticos
por bandos de bandidos
Para ela
eu minto:
Filha,
olha para cima,
lá estão as brancas nuvens
onde moram Anjos cândidos.
Viu, menina?
A vida é bela!
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31.10.07
A Vida é Bela Menina
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30.10.07
Pessoa Pessoalmente
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena,
Citam
E Recitam
Pessoas
Pessoa.
E o que disse
Pessoa
Ao isso escrever?
Pessoalmente,
Creio
Ter dito Pessoa:
Seja pequena
A alma
Da Pessoa
E a ela
Tudo não valerá a pena.
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29.10.07
A Ruína
Ao velho que quero ser
Que de mim ficou
depois de todos esses anos
que estive vivo?
Uma ruína
que se foi arruinando
e que me foi constituindo
aos poucos.
Sulcos que me cortam a cara,
emoldurada em brancas nuvens de paz.
As memórias orgulhosas
de fatos obscuros
ou claros
como a memória que tenho.
O olhar profundo,
afundado em você,
que agora me olha.
Um olhar que desespera a morte,
que, certa, vai chegar.
e terá, mesmo vencedora,
cedo, cedo demais,
que me enfrentar.
Sonho esta ruína agora,
porque, hoje,
sou eu quem me desconstrói.
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25.10.07
Entre Dentro e Fora
Se hoje sai
é porque não pode ficar dentro.
Se, depois, entra
é que também não pode ficar fora.
E assim vai,
ora entra,
ora sai.
Ai,
como dói lancinante essa dor cruel!
O indeciso acabou estático
na soleira da porta do céu.
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23.10.07
O Que Fazer das Mangas?
Não poder ficar com os outros
por não ser como eles,
dói uma dor doida doída.
Considerar ser diferente das gentes:
mulheres,
gays,
negros,
pobres
ou loucos,
isso sim,
parece-me sandice.
Só não ando de chapéu-coco
para não parecer o que de fato sou
e doerem em mim
as dores doídas,
moendas doidas do espírito.
Já se usou
andar pelas cidades no verão de Jaquetão.
Hoje a ordem é terno e gravata,
com as as camisas devidamente compridas nas mangas.
Prefiro chupá-las, as mangas,
na paz das sombras das mangueiras,
de carlotas ou espadas,
lambrecando a barriga nua.
É só questão de predileção,
que pode não ser a sua.
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Plazas de Mayo
em intenção do fim definitivo dos horrores e da indiferença que deram causa à Plaza de Mayo original
Granadas explodem.
Evadem gases lacrimogêneos.
Como ímãs,
atraem os olhares ao televisor,
contraem as faces,
e traem as inconsciências.
Convulsivas,
lágrimas expandem
emoções contidas.
Depois,
é lavarem a cara,
limparem os dentes
e, a ficarem prontos para ganhar o pão de fel,
mantém-se fiéis à dita de cada dia,
e dormem tranqüilos.
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21.10.07
O Último Tigre da Estirpe
ao Danilo, meu filho cordial e único, e à Nane, posseira do seu primeiro solo
Em seu colo,
solo fértil,
semeei
o coração de um Rei
dentro do qual renasci forte.
Só eu sei
o quanto me fiz presente lá,
inteiramente.
Continuação da estirpe humana
e da dos nossos predessessores retos.
Nosso filho tem um reino para governar:
o da vida dele mesmo,
no seu tempo e lugar.
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19.10.07
Os Alienistas
ao Machado de O Alienista
Os outros olham os loucos
Como se não fôssemos todos nós
A confabular com o vazio.
Os outros olham os loucos
Como se não fossemos todos nós
Os alienados.
São poucos os loucos
Que sabem da própria loucura,
Que sabem da dor por todo o canto
E seguem mais ou menos sãos
Entre escombros por todos os lados.
Estamos todos internados em um mundo
Em que basta um segundo
Para que tudo caia.
São todos esses outros uns doidos
A negar a realidade
E rindo dos loucos
Que não a negaram
E que, por isso, tampouco
A tomaram para si.
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18.10.07
Indicador de Mulher
O que faz já cedo
Esse dedo
De mulher jovem
No trem?
Destacado de sua senhora,
Fito-o com demora,
Impertinente, a observá-lo
Despudorado.
Gostava de cores que berram
A jovem senhora.
O contraste entre o esmalte e a pele
Era gritante.
A lotada do trem
Impedia-me a viagem
De vê-la.
Entretanto, quase a sentia diante de mim,
De pé e sem rosto,
Balançando o dedo com gosto.
A um só tempo não e sim.
Em instantes,
Minha estação.
Levanto-me
E logo saio
Sem desafiar
A desilusão.
Naquela manhã,
Fiquei sem o sim e sem o não
E aquela unha
Ainda hoje me arranha.
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17.10.07
Bolar a Bola
Frio seco,
Dois irmãos
Em tocas de meia
Jogam bola.
É minha!
Não é!
É!
Zoeira,
Gritaria,
Algazarra.
Dominical,
O Jornal
Samba no chão
Contrariado.
Bola rasgada
Inclementemente
Ao meio.
Chororô,
Meias bola,
Bola nenhuma,
Bolas de meia!
Brincam
Os meninos
Com bolas de meia
E, em capacetes de meia bola,
Sobem e descem
Ladeiras.
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16.10.07
À Mesa com Leveza
A leveza
põe-se à mesa.
No entorno,
Pessoas -
as mais diversas -
esperam a hora
de fartarem-se.
Então, finalmente, satisfazem-se
com a leveza, que,
toda consumida,
permanece inteira o que é.
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Dias Sem Fim
Canso dos dias
Uns atrás dos outros
Todos numa fila imensa
A espera de mim
Que não quero seguir
A estrada do tempo até o seu fim
Queria sim
Parar o tempo no momento de um beijo
Que, eterno, dê-me da boca o seu frescor
Sempre te amar, amor
Sem a morte para nos separar
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15.10.07
Suavidade Diamantina
A suavidade é um diamante bruto
que o bruto carrega no peito.
Lapidado
na procura da doçura,
extasia e encanta.
Mas o tempo passado no trabalho
de fazer brilhar o valor,
infelizmente,
é ofuscado para a maioria,
pelo brilho do divino
que sempre existiu no homem
e que somente ,
de um momento para o outro (?),
passou a refulgir
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13.10.07
Lili Berra
A menina Lili,
linda:
Grita!
Berra!
Urra!
O que busca
a Lili menina?
A libérrima liberdade
do vôo furtacor
da libélula.
Liberte-se, mulher!
Você já tem todas as cores,
a paleta
e o pincel.
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10.10.07
Entre Dentro e Fora
Se hoje sai
é porque não pode ficar dentro.
Se, depois, entra
é que também não pode ficar fora.
E assim vai,
ora entra,
ora sai.
Aí,
como dói lancinante essa dor cruel!
O indeciso acabou estático
na soleira da porta do céu.
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9.10.07
Quimera Ardente
Conheci-te,
ardor
em meu corpo:
por mim.
O tempo passa,
ardor
em meu corpo:
por si.
Anos a fio,
ardor
em meu corpo:
nasci.
Envelhecemos,
ardor
em meu corpo:
me consumi
Feneceste,
o ar é dor
em meu corpo:
me perdi.
O amor é fogo
Que arde
e só parece doer.
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8.10.07
O Livro em que se Aprende à Vera
O manuscrito
precioso
de deleite e dor
é a nossa vida afinal
Todas as vidas que vivemos
a da casa
a da rua
a da nossa alma nua
para quem pode olhá-la
Somente um
pode olhá-la
vê-la
e melhorá-la
Nós
somente
e a sós
com ou sem
os outros
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6.10.07
O Doce Bárbaro Jesus
O mesmo homem que faz a guerra,
Traz-me a paz.
Que mistério esse ser em si encerra,
Aceito-o sem nenhum mas.
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5.10.07
Tombo
Mais uma vez
abriu-se um vão
sob mim.
Caí,
profundamente.
Lá, no breu,
concluí:
os sonhos
queridos de verdade
demandam
todo o suor.
É...
hidratar-me
é precioso.
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Repercussão no Bardo Escritor
o metafórico bar do Orkut
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