O último segundo acabou de passar
Os relógios registraram onipresentes
Miríades de outros segundos antes deste
também transcorreram
últimos a seu tempo
Transcorreram todos desde o primeiro segundo
antes do qual não havia tempo
para o tempo passar
E se tempo não havia
não havia liberdade
nem movimento
Hoje dormimos tarde
acordamos cedo
sem tempo para dormir
ou acordar
Sonhamos tantos sonhos convulsos
a não saber se os sucessos
são concretos
ou imensos casulos estéreis de seda
Hoje, como nos tempos imemoriais
não há tempo
não há liberdade
nem movimento
Hoje corremos loucos
de um compromisso a outro
sem espaço nas agendas
para passar o tempo
O último segundo é ontem
tempo passado todo feito de vazio
porque não teve tempo para passar
13.11.11
O Último Segundo É Ontem
Postado por
Unknown
às
11:38 PM
0
comentários
Marcadores: alimento, autocrítica, dor, eternidade, tempo
30.9.11
Quem sou não sei eu, o que dirá você!
Não sou a imagem que me reflete no seu cérebro,
no meu ou no de quem seja
Sou pedaço eterno de vida limitada no tempo
não dou inteiro no regaço de um colo
sou poço de águas limpidamente turvas
e impossível (e perigosa) é essa vontade de tocar o fundo que não há
Mas há em mim o que se pode ver
até onde se pode ir
posso até matar a sede de alguns poucos desejos
Não queira, entretanto, me definir
o ser eu que sou é indefinível, abstrato, oco, cheio de ar
Sou eu mesmo um espelho refratário às definições
especialmente se se quer conhecer por meio de mim.
Postado por
Unknown
às
11:36 AM
0
comentários
Marcadores: amizade, auto-estima, auto-imagem, fidelidade à verdade, o Outro, realidade
23.9.11
O Relojoeiro
Consertam-se relógios com a precisão das horas certas.
Nunca mais faça desastroso o encontro amoroso
nem perca mais aviões, navios e trens.
Tenha o relógio sempre na hora exata da saída
para férias espetaculares,
em momentos antes dos esporros infundados
(ah, os esporros... são sempre infundados).
Que naquela hora você nunca esteja naquele lugar,
no caminho da bala perdida ou a você dirigida.
Livre-se em todas as horas dos chatos,
mas, lembre-se, ser chato não é profissão.
Que naquela hora você esteja sempre lá,
a receber um bom cafuné,
no ombro amigo,
com o amigo nos ombros.
Que a hora de vocês, mulheres, seja sempre a melhor.
Hora de vida.
de luz.
Que sempre saibam que os seus filhos homens são homens
e que o seu homem é igualmente filho de uma mulher.
Que, enfim, todas as horas
sejam momentos de recomeço,
de acertar os ponteiros consigo
para que não se perca a hora de ser como se é.
Postado por
Unknown
às
9:48 PM
0
comentários
Marcadores: amizade, autocrítica, companheirismo, eternidade, leveza, liberdade, tempo
6.9.11
Hoje saí
Estava em casa distraído e saí
de mim por este mundão afora
Vi muita coisa triste
e alegrias várias também vi
Alegrias que não deram em nada
em chumaços de pouco algodão ancoradas
E tristezas
se reviraram felizes
só porque delas sairam suas presas
pelo condão
que tem
sair de si.
Postado por
Unknown
às
12:01 PM
0
comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, depressão
30.8.11
Somente o que se quer e ponto de exclamação?
Burrice da vontade
loucura do desejo
achar que somente nos serve
o que a gente quer
Inúmeras experiências
fora do campo da nossa vontade
morrem vãs
sem por nós serem vividas
Objetos infinitamente vários passam
sem merecerem o nosso toque
ou sequer atraírem o nosso olhar
Pessoas e suas vastidões
permanecerão para sempre inexploradas
Ignotos universos paralelos
Não podemos ter tudo
e nosso desejo é filtro bem-vindo
mas não podemos deixá-lo reinar absoluto
fazendo-nos infelizes se não cumprimos a totalidade dos seus decretos
Que de uma impossibilidade
venham todas as possibilidades de um mundo aberto ao nosso redor
porque aberta permanecerá a cela do nosso peito
e o nosso coração jamais será escravo do nosso desejo
Assim seja por nós!
Postado por
Unknown
às
8:57 PM
0
comentários
Marcadores: coragem, criatividade, crise existencial, leveza, liberdade, loucura, realidade, sonhos, trabalho psíquico
8.5.11
Átimo de pó
Muito menos que um pouco, bem, bem pouco
Esse nada que é a vida
tem de ser vivido em plenitude inversa
Nada perseguir
para tudo alcançar
Nele,
todo pobre é rico
todo rico é pobre
todos são ricos
todos são pobres
É o campo das infinitas possibilidades
e de nenhuma
Um paradoxo lógico sem causa
Um absurdo belo e dorido
Eu nela
ela em mim
até o...
que
como na riqueza e na pobreza
existe sim e não existe não.
Postado por
Unknown
às
11:19 PM
0
comentários
Marcadores: malandragem, vida