gosto de pensar no seu sorriso
com a alma e o espírito
abertos para a lembrança
do nosso amor
de infinitas mil multiplicidades
ele nem sempre foi
o mesmo
(que bom!)
nem ele nem ele aliás
nem o seu sorriso nem o nosso amor
ele e ele foram vários
como várias foram as dores
que cada um aplacou
com sua alegria
que têm causa
em você em você
em você em mim
em você em nós
todas as causas do nosso
amor estão no nosso
amor e isso é uma força
temos dores externas ao nosso amor
e também a ele internas
mas vamos como sempre
fomos amando e sorrindo
enquanto choramos e nos consolamos
até...
a dor parar
de doer porque nos modificou
o nosso amor
que se modificou todo com tudo
6.10.13
vamos como sempre fomos
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Marcadores: a musa, casal, companheirismo, coragem, dor
23.9.11
O Relojoeiro
Consertam-se relógios com a precisão das horas certas.
Nunca mais faça desastroso o encontro amoroso
nem perca mais aviões, navios e trens.
Tenha o relógio sempre na hora exata da saída
para férias espetaculares,
em momentos antes dos esporros infundados
(ah, os esporros... são sempre infundados).
Que naquela hora você nunca esteja naquele lugar,
no caminho da bala perdida ou a você dirigida.
Livre-se em todas as horas dos chatos,
mas, lembre-se, ser chato não é profissão.
Que naquela hora você esteja sempre lá,
a receber um bom cafuné,
no ombro amigo,
com o amigo nos ombros.
Que a hora de vocês, mulheres, seja sempre a melhor.
Hora de vida.
de luz.
Que sempre saibam que os seus filhos homens são homens
e que o seu homem é igualmente filho de uma mulher.
Que, enfim, todas as horas
sejam momentos de recomeço,
de acertar os ponteiros consigo
para que não se perca a hora de ser como se é.
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Marcadores: amizade, autocrítica, companheirismo, eternidade, leveza, liberdade, tempo
21.6.08
Negra Li
Hoje acordei
e o mundo
estava nele mesmo
os carros
e os ônibus
subiam em algazarra
à minha cama
já ela
não mais
emolduraria minha janela.
Embora eu não quisesse
ela se foi
foi pra não voltar
veio a morte
e a levou
levou-a
para longe do meu olhar
Para ela agora
não há mais
carros
ônibus
janela
e eu.
Para mim
foram-se
os carinhos
um roçar de pele
o ronronar matinal.
Ela se foi
para não mais voltar,
minha gata
Negra Li
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Marcadores: animais, companheirismo, filia, luto, saudades, tanatos
9.3.08
Competitividade Jaqueira
Era uma vila operária habitada por trabalhadores da fábrica de telhas e da de tecidos Maracanã. A lida era dura. Labutavam muito. Iam dormir com as galinhas e com os galos despertavam. Isso em um tempo em que o ditado se dava literalmente, quando, na Usina da Tijuca, ainda se morava em casas com galinheiros e em que os galináceos andavam soltos pelas ruas, ciscando ali e acolá.
Pois bem, o fato é que todos se retiravam por volta da hora do Angelus, para fazer suas preces e, ato contínuo, dormir.
Havia vezes, entretanto, em que a rotina era quebrada. Das casas ouvia-se um som surdo e, em resposta, seus moradores saíam em camisolões alvoroçados. Iam atrás dela, a jaca que caíra, em aberta competição. Até que se ouvia um grito de rasgada euforia. Um deles a havia encontrado. Catava o troféu e em atitude vencedora, o levava secundado por uma procissão. O felizardo adentrava a sua casa, retalhava a jaca e compartia sua vitória com os demais. Todos teriam jaca para o café da manhã seguinte.
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2:38 AM
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25.1.08
Vó Dulce
Fiquei mais só:
um pedaço da história
da minha infância,
adolescência,
juventude
e idade adulta
se foi agora
com a partida da minha avó frondosa.
Ela me deixou
mais triste
e feliz.
Tristeza de não mais vê-la,
de não mais poder aninhar-me
no regaço da sua dupla maternidade
na linha reta
que a ligava a mim
por intermédio de minha mãe.
Felicidade de lembranças claras e luminosas:
ela no seu jardim diariamente
às voltas com latas, vasos e vidas pintadas de branco.
A terra acomodada com carinho,
com a fé, a força e a determinação
de que era fértil aquela terra e bom o adubo,
de que suas sementes vingariam em rebentos,
de que seus rebentos cresceriam e viriam a ser árvores um dia,
de que as árvores floresceriam,
flores das quais adviriam vários e saborosos frutos:
Aires, que deve estar, radiante, de volta à sua companhia,
Ariza,
Eu,
Raquel,
Soráya,
Fábio,
Luciana,
Felipe,
Fabrício,
Alessandra,
Natália,
Juliana,
Ígor,
Danilo,
Amanda
Luísa ...
Em todos, esteja certa minha avó,
viceja sua seiva.
Que a paz do dever cumprido em alegre harmonia lhe acompanhe,
sempre.
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9:01 PM
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27.12.07
Um Amor Tanto
pelo aniversário da Nane, o meu Amor
Este amor é tanto
que não há mar
que suporte em sua umidade
o fogo deste amar
será porque que a amo assim
inteiro?
não sei
só sei que é assim.
nosso amor
guerreia
fazendo as pazes
pacifica
fazendo guerras
um caldeirão de emoções
as mais loucas
nos atormenta
e gratifica
nos dói
e sara
e ao final
estaremos exaustos
e com um sorriso bobo na boca
que assim seja.
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12:22 PM
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9.11.07
Exortação aos Meninos de Hoje e de Amanhã
Tem fé menino,
tem fé menino,
tem feminino na mulher.
Enamora aquela
que te sabe simples e frágil masculino,
menino gerado no ventre da sua primeira e ancestral mulher.
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5.11.07
BOPE - Beleza de Operação Especial
Minha gatinha
é mesmo muito linda
Ela anda pelas ruas
enquanto olha o mundo
Se um do mundo cai
ela é capaz de desviar-se do caminho
para salvá-lo
Como não a amar
de amor maior?
Como não ser servidor
do serviço a que ela serve?
Serviçal
ás vezes quente
às vezes fria
às vezes dura
às vezes suave
às vezes doce
às vezes Docinho
Mas sempre uma serviçal
que serve
ao mundo
com um sentimento
estranhamente estrangeiro
Salvas à minha menina
santa e atéia
guerreira e super-poderosa
Como ela quantas?
Não há muitas
arriscaria até dizer
só há ela
única e especial.
Minha mulher
mãe do Dan
a você me prendo por vontade.
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16.10.07
À Mesa com Leveza
A leveza
põe-se à mesa.
No entorno,
Pessoas -
as mais diversas -
esperam a hora
de fartarem-se.
Então, finalmente, satisfazem-se
com a leveza, que,
toda consumida,
permanece inteira o que é.
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7.9.07
Que todas sejam FLORAS, que o mundo seja quintais com pomares para nos nutrir e descansarmos das batalhas
Gil, meu Ministro da Cultura, que desde sempre investi nesse ministério,
obrigado por tudo. Mas principalmente pela seguinte lição, por aprendida por mim, do meu jeito, jeito que não quero parar de aprender jamais. Peço licença, para, com sentimento, exaltar seu magistério e também (por que não?), apresentar os meus apontamentos de aula.
A lição ministrada:
Flora
Imagino-te já idosa
Frondosa toda a folhagem
Multiplicada a ramagem
De agora
Tendo tudo transcorrido
Flores e frutos da imagem
Com que faço essa viagem
Pelo reino do teu nome
Ó, Flora
Imagino-te jaqueira
Postada à beira da estrada
Velha, forte, farta, bela
Senhora
Pelo chão, muitos caroços
Como que restos dos nossos
Próprios sonhos devorados
Pelo pássaro da aurora
Ó, Flora
Imagino-te futura
Ainda mais linda, madura
Pura no sabor de amor e
De amora
Toda aquela luz acesa
Na doçura e na beleza
Terei sono, com certeza
Debaixo da tua sombra
Ó, Flora
"A Arte Final"
A Musa:
Flora Tropicalista, subjaz raiz da Cultura
A Veja desta semana publica o perfil da agreste Flora Gil, mulher desse ser tão baianamente preto Gil.
[ por força da política comercial da revista, o conteúdo com a íntegra da matéria só está liberada para a leitura e deleite de todos em duas ou três semanas, mas já foi pior]
Apontamento nº 1:
O Remédio cuja ausência Remedeia
(a Nane, o que de mais valor encontrei)
Dei-lhe a mão
e todo o meu mais.
Meu coração
pela vida inteira
dela será.
Servido à luz de sóis nascentes
e guarnecido de beijos inflamados,
ele terá nela,
enquanto bater,
a ventura adrenalina.
E caso ela não mais me queira,
não descansarei jamais,
como já descansei à sombra
do seu amor.
Porque ele,
um tanto acre, um tanto doce,
arrebatou-me
irremediavelmente.
Apontamento nº 2 :
MiAu
Que isso?
Um gata?
Não, é uma canção
que acredita
que não há dita:
a paz
entre
ferinas
e caninos;
entre
femininos
e masculinos:
é possível sim;
Por que
não?
Seria
a Vida!
Apontamento nº 3 :
Quimera Ardente
Conheci a ti,
ardor
em meu corpo:
por mim.
O tempo passa,
ardor
em meu corpo:
por ti.
Anos a fio,
ardor
em meu corpo:
renasci.
Envelhecemos,
ardor
em meu corpo:
me consumi.
Feneceste,
o ar é dor
em meu corpo:
me perdi.
O amor é fogo
que arde
e só parece doer.
Minha Musa:

Obrigado, ao senhor Ministro deste subúrbio da rede
chamado Parabolicamará e
Amigô de Monsieur Binot,
que espero conhecer, porque, pelo que ouvi:
já é.
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Unknown
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11:53 PM
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