E se eu fosse poeta
e tivesse somente um minuto
para o primeiro e último poema?
Antes, poeta não seria,
ou, se fosse, seria um sem poemas,
posto que não os havia escrito nenhum
até o momento dessa ideia doida
de poema de minuto.
No entanto, como sucede a todo poeta que se preza
e que escreve na primeira pessoa,
o poema seria personalíssimo,
sanguíneo,
mucoso e, para dizer o comum,
visceral.
Mas o fato é que este poeta catou o minuto
e não, ao contrário, foi por ele colhido.
De modo que o poema se apresenta esbatido em tons violáceos.
Sem sangue, portanto,
mucos
ou vísceras.
Um poema que,
como os demais poemas,
passou-se em um minuto,
bestamente.
1.3.09
Poema de Minuto
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Unknown
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Marcadores: alimento, metalinguagem, realidade
4.12.07
Inebriante
Sinto-me tonto
totalmente
é esse teor absurdo
de qualquer coisa em você
é esse seu absinto
inebriante profundo
que faz girar o mundo
no entorno de ti.
Você me faz
perder o chão
a dizer sempre sim
nunca jamais não.
Vou às pressas
associar-me
aos amadores compulsivos anônimos.
Poesia,
amo vossa excelência
deseperançosa
e desesperadamente.
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Marcadores: criatividade, metalinguagem, musas
2.12.07
Acaso Poético
É que o acaso
Faz-me escrever assim:
Meio fora de Mim.
Dou asas livres
À imaginação
E ela voa
Engraçada:
Sem rumo,
Sem nada.
Este.
Oeste.
Norte.
Sul.
Ela voa
No vazio
Cheia de si.
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12:55 PM
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Marcadores: criatividade, inspiração, metalinguagem
30.6.07
Vômito Poético
[valew,Perrone]
Minha mãe não me colocou no mundo,
Me pariu nele.
Olhei em volta,
Deu asco o que vi,
Vomitei
Ventos e flores,
Sóis e putarias.
Vômito antitético,
Gestante da poesia.
Êta com arde!
Arde àgua da peste!
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Unknown
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11:16 PM
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