gosto de pensar no seu sorriso
com a alma e o espírito
abertos para a lembrança
do nosso amor
de infinitas mil multiplicidades
ele nem sempre foi
o mesmo
(que bom!)
nem ele nem ele aliás
nem o seu sorriso nem o nosso amor
ele e ele foram vários
como várias foram as dores
que cada um aplacou
com sua alegria
que têm causa
em você em você
em você em mim
em você em nós
todas as causas do nosso
amor estão no nosso
amor e isso é uma força
temos dores externas ao nosso amor
e também a ele internas
mas vamos como sempre
fomos amando e sorrindo
enquanto choramos e nos consolamos
até...
a dor parar
de doer porque nos modificou
o nosso amor
que se modificou todo com tudo
6.10.13
vamos como sempre fomos
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5:06 AM
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Marcadores: a musa, casal, companheirismo, coragem, dor
13.11.11
O Último Segundo É Ontem
O último segundo acabou de passar
Os relógios registraram onipresentes
Miríades de outros segundos antes deste
também transcorreram
últimos a seu tempo
Transcorreram todos desde o primeiro segundo
antes do qual não havia tempo
para o tempo passar
E se tempo não havia
não havia liberdade
nem movimento
Hoje dormimos tarde
acordamos cedo
sem tempo para dormir
ou acordar
Sonhamos tantos sonhos convulsos
a não saber se os sucessos
são concretos
ou imensos casulos estéreis de seda
Hoje, como nos tempos imemoriais
não há tempo
não há liberdade
nem movimento
Hoje corremos loucos
de um compromisso a outro
sem espaço nas agendas
para passar o tempo
O último segundo é ontem
tempo passado todo feito de vazio
porque não teve tempo para passar
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11:38 PM
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Marcadores: alimento, autocrítica, dor, eternidade, tempo
24.1.09
O Corredor
4.3.08
Acordados por Sonhos Somos
No meio da noite
Acordados
Por sonhos
Somos
Poder
O mundo supor
Nossos desejos interditos
Apavora e encanta
A batalha maior
Vencer o outro em nós
E gozar nos campos do real
As fantásticas miragens da fantasia
O pensamento
Nau dessa viagem
Do conhecimento de nós
Dor e delícia nossa
Nos leva
Quanto mais fundo
E longe se vai
Menos dói a dor
E mais deliciosa a delícia
De ser e saber o que se é
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5:58 AM
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Marcadores: coragem, covardia, ditadura, dor, eros, fidelidade à verdade, insônia, liberdade, loucura, o Outro, realidade, repressão, sonhos, tanatos, trabalho psíquico, viver em sociedade
9.2.08
Narciso Terrificado
Ferve
Minha verve.
Quando Escrevo,
Exponho meu nervo.
Nervuras do real
Racham minha alma
Como raios
Na noite lúgubre.
A perfídia dos,
Como eu,
Homens
Instila
Na tinta negra
O seu fétido.
Assume o ar
O peso do rinoceronte
E sua cegueira o envenena;
Translúcido e opaco,
Sufoca-me
Por não me deixar
Olhar e ver
A minha face.
Ergo-me
Ao Espelho.
O visto
Apavora,
Devora.
Como narciso,
Terrificado,
Demora-me
A Eternidade
A Visão
De Mim(?).
O horror
Dessa Dor
Purga-me,
Apartando-me do humano Ser
Sem deixar de ser Humano
E passo vidas, então,
Aprendendo a só ser
Um Humano Ser Humano.
Publicado no e-zine 16 do Bar do Escritor
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3:49 PM
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Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, covardia, crise existencial, dor, eros, tanatos, tempo, trabalho psíquico, vaidade
1.2.08
A Relatividade na Prática
O tempo é uma dor que persiste em si
por isso também é a sua cura
O melhor remédio
a pior tortura
Dias e dias
passam arrastados por mim
Não há dor
que o tempo não cure
Mesmo a dor pelo tempo secretada
Aflição do tédio
escorrendo-me lento pela cara
De uma hora para outra
passa o tempo
e a dor do tempo passa
Foi ela
que enfim
apareceu na praça.
O tempo veloz
acelerado por aquela voz
as risadas
as brincadeiras
De súbito tudo se atira em precipício soturno:
Nane se vai
e me submerge no escarro do tempo
Quantos dias durarão as próximas horas?
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10:22 AM
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25.12.07
Textura de Coragem
A todos os anos novos
Remendo
Todos os medos,
Meros arremedos
Com textura aparente de coragem.
Estiagem
Entre tempestades
De renovados assombros
E mais escombros
Sobre mim.
Medo madrugador
De linhas fracas
A arrebentar
Na minha Alma.
Calmo,
Corro a tomar a agulha do Real,
Para com a minha linhagem,
Costurar um elmo,
De lona tosca e bruta,
Do meu sangue rubra,
Para que me cubra
Com a verdadeira textura da coragem
Contra os fatídicos destroços
Dos tempos futuros de outras ilusões,
Rainhas destronadas
Do espírito meu.
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3:42 PM
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Marcadores: coragem, covardia, dor, fidelidade à verdade, heroísmo, insônia, realidade, tempo
15.12.07
Tempo Déspota
Hoje acordei de um sonho dos Deuses
que podia ter tudo
o tempo
as coisas
as pessoas
Sonhei que amava várias mulheres
que morava em inúmeras casas
que professava todos os credos
que, no restaurante, pedia todos os pratos
que exercia todas as profissões.
Acordei com o despertador
que comprei entre tantos
mandando-me para o trabalho de todos os dias
escolhi a roupa que vesti
e, cedendo à tirania do tempo,
enfrentei a lotada infernal do trem:
antes tivesse ido de ônibus.
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1:23 AM
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Marcadores: consumo, dor, indecisão, liberdade, realidade, tempo, totalitarismo
3.12.07
Da Flor ao Horror
Flor
Rima-ímã
De amor
Amor
Rima-ímã
De dor
Dor
Rima-ímã
De horror
E assim
Foi que passaram
Da flor ao amor
Do amor à dor
Da dor ao horror
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11:26 AM
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Marcadores: casal, dor, eros, gênero, o Outro, relação amorosa
24.11.07
O Primeiro Não
Insensível
O rato
Insensato
E intimorato
Abre caminho
Invade e destrói
O ninho
De magafafinhos
E eu menininho
Descubro
O ninho
De ovos
Violados
Tamanho descalabro
Para mim
O primeiro não na vida
De tão poucos sins
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2:14 PM
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Marcadores: coragem, covardia, dor, histórias infantis, infância, realidade, tanatos
5.11.07
BOPE - Beleza de Operação Especial
Minha gatinha
é mesmo muito linda
Ela anda pelas ruas
enquanto olha o mundo
Se um do mundo cai
ela é capaz de desviar-se do caminho
para salvá-lo
Como não a amar
de amor maior?
Como não ser servidor
do serviço a que ela serve?
Serviçal
ás vezes quente
às vezes fria
às vezes dura
às vezes suave
às vezes doce
às vezes Docinho
Mas sempre uma serviçal
que serve
ao mundo
com um sentimento
estranhamente estrangeiro
Salvas à minha menina
santa e atéia
guerreira e super-poderosa
Como ela quantas?
Não há muitas
arriscaria até dizer
só há ela
única e especial.
Minha mulher
mãe do Dan
a você me prendo por vontade.
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6:25 PM
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Marcadores: a musa, agape, casal, companheirismo, coragem, dor, estética da alma, feminilidade, filia, heroísmo, o Outro, solidariedade, velhice, viver em sociedade
2.11.07
Vazio Essencial
Sofro da falta de algo. Um vazio alimenta minha insatisfação. Uma ausência que não tenho como definir. Um desânimo... Um descontentamento... Um... sei lá o que.
Diante desse sentir (ou seria um não sentir?) uns se matam, outros se deixam morrer. Eu, à minha vez, por superior coragem ou por infinita covardia, sigo a viver.
Minha letra
Minha pauta
Minha música
Meu também o desalento
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7:06 AM
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Marcadores: auto-imagem, autocrítica, coragem, covardia, depressão, dor, fidelidade à verdade, liberdade, loucura, paz interior, tanatos, trabalho psíquico
31.10.07
A Vida é Bela Menina
As mãos eu mergulho
em rios de sangue
Ela ergue a cabeça a procurar
nas nuvens brancas
Anjos cândidos
A vida é bela
vista da perspectiva
das janelas
dos olhos dela
Sobre a terra
Anjos caídos
são pisoteados por hordas de famintos
por turbas de fanáticos
por bandos de bandidos
Para ela
eu minto:
Filha,
olha para cima,
lá estão as brancas nuvens
onde moram Anjos cândidos.
Viu, menina?
A vida é bela!
___________________________________
para ver a repercussão e alguma história deste poema vá ao (DI)VERSOS [orkut], clique aqui.
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12:08 PM
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Marcadores: depressão, diferença, dor, fidelidade à verdade, heroísmo, histórias infantis, loucura, o Outro, paternidade, paz interior, realidade, tanatos
30.10.07
Pessoa Pessoalmente
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena,
Citam
E Recitam
Pessoas
Pessoa.
E o que disse
Pessoa
Ao isso escrever?
Pessoalmente,
Creio
Ter dito Pessoa:
Seja pequena
A alma
Da Pessoa
E a ela
Tudo não valerá a pena.
__________________________________
para ver a repercussão e alguma história deste poema vá ao (DI)VERSOS [orkut], clique aqui.
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8:52 AM
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Marcadores: agape, autocrítica, diferença, ditadura, dor, estética da alma, ética, fernando pessoa, loucura, o Outro, pacififismo, paz interior, repressão, totalitarismo, vaidade, viver em sociedade
25.10.07
Entre Dentro e Fora
Se hoje sai
é porque não pode ficar dentro.
Se, depois, entra
é que também não pode ficar fora.
E assim vai,
ora entra,
ora sai.
Ai,
como dói lancinante essa dor cruel!
O indeciso acabou estático
na soleira da porta do céu.
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às
4:08 PM
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Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, crise existencial, dor, estética da alma, indecisão, liberdade, loucura, paz interior, totalitarismo, trabalho psíquico, vaidade
23.10.07
O Que Fazer das Mangas?
Não poder ficar com os outros
por não ser como eles,
dói uma dor doida doída.
Considerar ser diferente das gentes:
mulheres,
gays,
negros,
pobres
ou loucos,
isso sim,
parece-me sandice.
Só não ando de chapéu-coco
para não parecer o que de fato sou
e doerem em mim
as dores doídas,
moendas doidas do espírito.
Já se usou
andar pelas cidades no verão de Jaquetão.
Hoje a ordem é terno e gravata,
com as as camisas devidamente compridas nas mangas.
Prefiro chupá-las, as mangas,
na paz das sombras das mangueiras,
de carlotas ou espadas,
lambrecando a barriga nua.
É só questão de predileção,
que pode não ser a sua.
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às
3:00 PM
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Marcadores: alimento, depressão, diferença, ditadura, dor, estética da alma, indecisão, infância, liberdade, loucura, paz interior, rio de janeiro, totalitarismo, trabalho psíquico, viver em sociedade
Plazas de Mayo
em intenção do fim definitivo dos horrores e da indiferença que deram causa à Plaza de Mayo original
Granadas explodem.
Evadem gases lacrimogêneos.
Como ímãs,
atraem os olhares ao televisor,
contraem as faces,
e traem as inconsciências.
Convulsivas,
lágrimas expandem
emoções contidas.
Depois,
é lavarem a cara,
limparem os dentes
e, a ficarem prontos para ganhar o pão de fel,
mantém-se fiéis à dita de cada dia,
e dormem tranqüilos.
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1:52 PM
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Marcadores: agape, depressão, ditadura, dor, ética, família, feminilidade, fidelidade à verdade, filia, liberdade, maternidade, pacififismo, totalitarismo, viver em sociedade
19.10.07
Os Alienistas
ao Machado de O Alienista
Os outros olham os loucos
Como se não fôssemos todos nós
A confabular com o vazio.
Os outros olham os loucos
Como se não fossemos todos nós
Os alienados.
São poucos os loucos
Que sabem da própria loucura,
Que sabem da dor por todo o canto
E seguem mais ou menos sãos
Entre escombros por todos os lados.
Estamos todos internados em um mundo
Em que basta um segundo
Para que tudo caia.
São todos esses outros uns doidos
A negar a realidade
E rindo dos loucos
Que não a negaram
E que, por isso, tampouco
A tomaram para si.
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3:43 AM
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Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, diferença, ditadura, dor, estética da alma, liberdade, loucura, paz interior, trabalho psíquico
16.10.07
Dias Sem Fim
Canso dos dias
Uns atrás dos outros
Todos numa fila imensa
A espera de mim
Que não quero seguir
A estrada do tempo até o seu fim
Queria sim
Parar o tempo no momento de um beijo
Que, eterno, dê-me da boca o seu frescor
Sempre te amar, amor
Sem a morte para nos separar
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12:05 PM
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10.10.07
Entre Dentro e Fora
Se hoje sai
é porque não pode ficar dentro.
Se, depois, entra
é que também não pode ficar fora.
E assim vai,
ora entra,
ora sai.
Aí,
como dói lancinante essa dor cruel!
O indeciso acabou estático
na soleira da porta do céu.
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Unknown
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10:52 AM
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