Não sou a imagem que me reflete no seu cérebro,
no meu ou no de quem seja
Sou pedaço eterno de vida limitada no tempo
não dou inteiro no regaço de um colo
sou poço de águas limpidamente turvas
e impossível (e perigosa) é essa vontade de tocar o fundo que não há
Mas há em mim o que se pode ver
até onde se pode ir
posso até matar a sede de alguns poucos desejos
Não queira, entretanto, me definir
o ser eu que sou é indefinível, abstrato, oco, cheio de ar
Sou eu mesmo um espelho refratário às definições
especialmente se se quer conhecer por meio de mim.
30.9.11
Quem sou não sei eu, o que dirá você!
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Marcadores: amizade, auto-estima, auto-imagem, fidelidade à verdade, o Outro, realidade
30.8.11
Somente o que se quer e ponto de exclamação?
Burrice da vontade
loucura do desejo
achar que somente nos serve
o que a gente quer
Inúmeras experiências
fora do campo da nossa vontade
morrem vãs
sem por nós serem vividas
Objetos infinitamente vários passam
sem merecerem o nosso toque
ou sequer atraírem o nosso olhar
Pessoas e suas vastidões
permanecerão para sempre inexploradas
Ignotos universos paralelos
Não podemos ter tudo
e nosso desejo é filtro bem-vindo
mas não podemos deixá-lo reinar absoluto
fazendo-nos infelizes se não cumprimos a totalidade dos seus decretos
Que de uma impossibilidade
venham todas as possibilidades de um mundo aberto ao nosso redor
porque aberta permanecerá a cela do nosso peito
e o nosso coração jamais será escravo do nosso desejo
Assim seja por nós!
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Marcadores: coragem, criatividade, crise existencial, leveza, liberdade, loucura, realidade, sonhos, trabalho psíquico
6.6.09
Tempo de Vivente
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Marcadores: ateísmo, ateísmo santo, eros, realidade, tanatos, tempo, trabalho psíquico
1.3.09
Poema de Minuto
E se eu fosse poeta
e tivesse somente um minuto
para o primeiro e último poema?
Antes, poeta não seria,
ou, se fosse, seria um sem poemas,
posto que não os havia escrito nenhum
até o momento dessa ideia doida
de poema de minuto.
No entanto, como sucede a todo poeta que se preza
e que escreve na primeira pessoa,
o poema seria personalíssimo,
sanguíneo,
mucoso e, para dizer o comum,
visceral.
Mas o fato é que este poeta catou o minuto
e não, ao contrário, foi por ele colhido.
De modo que o poema se apresenta esbatido em tons violáceos.
Sem sangue, portanto,
mucos
ou vísceras.
Um poema que,
como os demais poemas,
passou-se em um minuto,
bestamente.
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Marcadores: alimento, metalinguagem, realidade
4.3.08
Acordados por Sonhos Somos
No meio da noite
Acordados
Por sonhos
Somos
Poder
O mundo supor
Nossos desejos interditos
Apavora e encanta
A batalha maior
Vencer o outro em nós
E gozar nos campos do real
As fantásticas miragens da fantasia
O pensamento
Nau dessa viagem
Do conhecimento de nós
Dor e delícia nossa
Nos leva
Quanto mais fundo
E longe se vai
Menos dói a dor
E mais deliciosa a delícia
De ser e saber o que se é
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5:58 AM
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Marcadores: coragem, covardia, ditadura, dor, eros, fidelidade à verdade, insônia, liberdade, loucura, o Outro, realidade, repressão, sonhos, tanatos, trabalho psíquico, viver em sociedade
15.2.08
Sonhos da Noite no Claro do Dia
Tentei dormir em vão.
Levantei-me,
Então
Fui sonhar.
Fumaças no ar,
Mil projetos,
Mil sonhos vívidos,
Ávidos por serem vividos.
Amanheceu,
Acontece a realidade:
Os sonhos serão pelo dia olvidados?
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3:57 AM
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25.12.07
Textura de Coragem
A todos os anos novos
Remendo
Todos os medos,
Meros arremedos
Com textura aparente de coragem.
Estiagem
Entre tempestades
De renovados assombros
E mais escombros
Sobre mim.
Medo madrugador
De linhas fracas
A arrebentar
Na minha Alma.
Calmo,
Corro a tomar a agulha do Real,
Para com a minha linhagem,
Costurar um elmo,
De lona tosca e bruta,
Do meu sangue rubra,
Para que me cubra
Com a verdadeira textura da coragem
Contra os fatídicos destroços
Dos tempos futuros de outras ilusões,
Rainhas destronadas
Do espírito meu.
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Marcadores: coragem, covardia, dor, fidelidade à verdade, heroísmo, insônia, realidade, tempo
15.12.07
Tempo Déspota
Hoje acordei de um sonho dos Deuses
que podia ter tudo
o tempo
as coisas
as pessoas
Sonhei que amava várias mulheres
que morava em inúmeras casas
que professava todos os credos
que, no restaurante, pedia todos os pratos
que exercia todas as profissões.
Acordei com o despertador
que comprei entre tantos
mandando-me para o trabalho de todos os dias
escolhi a roupa que vesti
e, cedendo à tirania do tempo,
enfrentei a lotada infernal do trem:
antes tivesse ido de ônibus.
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Marcadores: consumo, dor, indecisão, liberdade, realidade, tempo, totalitarismo
24.11.07
O Primeiro Não
Insensível
O rato
Insensato
E intimorato
Abre caminho
Invade e destrói
O ninho
De magafafinhos
E eu menininho
Descubro
O ninho
De ovos
Violados
Tamanho descalabro
Para mim
O primeiro não na vida
De tão poucos sins
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2:14 PM
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31.10.07
A Vida é Bela Menina
As mãos eu mergulho
em rios de sangue
Ela ergue a cabeça a procurar
nas nuvens brancas
Anjos cândidos
A vida é bela
vista da perspectiva
das janelas
dos olhos dela
Sobre a terra
Anjos caídos
são pisoteados por hordas de famintos
por turbas de fanáticos
por bandos de bandidos
Para ela
eu minto:
Filha,
olha para cima,
lá estão as brancas nuvens
onde moram Anjos cândidos.
Viu, menina?
A vida é bela!
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para ver a repercussão e alguma história deste poema vá ao (DI)VERSOS [orkut], clique aqui.
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12:08 PM
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Marcadores: depressão, diferença, dor, fidelidade à verdade, heroísmo, histórias infantis, loucura, o Outro, paternidade, paz interior, realidade, tanatos
