Mostrando postagens com marcador totalitarismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador totalitarismo. Mostrar todas as postagens

15.12.07

Tempo Déspota

Hoje acordei de um sonho dos Deuses

Sonhei que escolher não era necessário
que podia ter tudo
o tempo
as coisas
as pessoas

Sonhei que amava várias mulheres
que morava em inúmeras casas
que professava todos os credos
que, no restaurante, pedia todos os pratos
que exercia todas as profissões.

Acordei com o despertador
que comprei entre tantos
mandando-me para o trabalho de todos os dias
escolhi a roupa que vesti
e, cedendo à tirania do tempo,
enfrentei a lotada infernal do trem:
antes tivesse ido de ônibus.

19.11.07

Respeito à Hábil Navalha

Vibra no ar o aço flexível da navalha
Sacada na hora improvável.

A ameaçaFaz tremer.
Cadê a fama do matador?

O suor nasce frio
Como lâmina
Penetrando a carne.

O algoz corre morto de medo pelas vielas.
Teme morrer o matador.

Tão cedo não aparecer
Naquelas paragens
São os planos do matador.

30.10.07

Pessoa Pessoalmente

Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena,
Citam
E Recitam
Pessoas
Pessoa.

E o que disse
Pessoa
Ao isso escrever?

Pessoalmente,
Creio
Ter dito Pessoa:
Seja pequena
A alma
Da Pessoa
E a ela
Tudo não valerá a pena.
__________________________________

para ver a repercussão e alguma história deste poema vá ao (DI)VERSOS [orkut], clique aqui.

25.10.07

Entre Dentro e Fora

Se hoje sai
é porque não pode ficar dentro.

Se, depois, entra
é que também não pode ficar fora.

E assim vai,
ora entra,
ora sai.

Ai,
como dói lancinante essa dor cruel!

O indeciso acabou estático
na soleira da porta do céu.

23.10.07

O Que Fazer das Mangas?

Não poder ficar com os outros
por não ser como eles,
dói uma dor doida doída.

Considerar ser diferente das gentes:
mulheres,
gays,
negros,
pobres
ou loucos,
isso sim,
parece-me sandice.

Só não ando de chapéu-coco
para não parecer o que de fato sou
e doerem em mim
as dores doídas,
moendas doidas do espírito.

Já se usou
andar pelas cidades no verão de Jaquetão.

Hoje a ordem é terno e gravata,
com as as camisas devidamente compridas nas mangas.

Prefiro chupá-las, as mangas,
na paz das sombras das mangueiras,
de carlotas ou espadas,
lambrecando a barriga nua.

É só questão de predileção,
que pode não ser a sua.

Plazas de Mayo

em intenção do fim definitivo dos horrores e da indiferença que deram causa à Plaza de Mayo original

Granadas explodem.
Evadem gases lacrimogêneos.
Como ímãs,
atraem os olhares ao televisor,
contraem as faces,
e traem as inconsciências.

Convulsivas,
lágrimas expandem
emoções contidas.

Depois,
é lavarem a cara,
limparem os dentes
e, a ficarem prontos para ganhar o pão de fel,
mantém-se fiéis à dita de cada dia,
e dormem tranqüilos.


 
web stats hits
web stats hits