O último segundo acabou de passar
Os relógios registraram onipresentes
Miríades de outros segundos antes deste
também transcorreram
últimos a seu tempo
Transcorreram todos desde o primeiro segundo
antes do qual não havia tempo
para o tempo passar
E se tempo não havia
não havia liberdade
nem movimento
Hoje dormimos tarde
acordamos cedo
sem tempo para dormir
ou acordar
Sonhamos tantos sonhos convulsos
a não saber se os sucessos
são concretos
ou imensos casulos estéreis de seda
Hoje, como nos tempos imemoriais
não há tempo
não há liberdade
nem movimento
Hoje corremos loucos
de um compromisso a outro
sem espaço nas agendas
para passar o tempo
O último segundo é ontem
tempo passado todo feito de vazio
porque não teve tempo para passar
13.11.11
O Último Segundo É Ontem
Postado por
Unknown
às
11:38 PM
0
comentários
Marcadores: alimento, autocrítica, dor, eternidade, tempo
23.9.11
O Relojoeiro
Consertam-se relógios com a precisão das horas certas.
Nunca mais faça desastroso o encontro amoroso
nem perca mais aviões, navios e trens.
Tenha o relógio sempre na hora exata da saída
para férias espetaculares,
em momentos antes dos esporros infundados
(ah, os esporros... são sempre infundados).
Que naquela hora você nunca esteja naquele lugar,
no caminho da bala perdida ou a você dirigida.
Livre-se em todas as horas dos chatos,
mas, lembre-se, ser chato não é profissão.
Que naquela hora você esteja sempre lá,
a receber um bom cafuné,
no ombro amigo,
com o amigo nos ombros.
Que a hora de vocês, mulheres, seja sempre a melhor.
Hora de vida.
de luz.
Que sempre saibam que os seus filhos homens são homens
e que o seu homem é igualmente filho de uma mulher.
Que, enfim, todas as horas
sejam momentos de recomeço,
de acertar os ponteiros consigo
para que não se perca a hora de ser como se é.
Postado por
Unknown
às
9:48 PM
0
comentários
Marcadores: amizade, autocrítica, companheirismo, eternidade, leveza, liberdade, tempo
6.9.11
Hoje saí
Estava em casa distraído e saí
de mim por este mundão afora
Vi muita coisa triste
e alegrias várias também vi
Alegrias que não deram em nada
em chumaços de pouco algodão ancoradas
E tristezas
se reviraram felizes
só porque delas sairam suas presas
pelo condão
que tem
sair de si.
Postado por
Unknown
às
12:01 PM
0
comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, depressão
17.3.08
Deslocado
O sítio meu no mundo
é pequeno,
mero aceno
num mar de lenços multicores.
Agonia sem fim
esse vazio em cujo espaço
não caibo,
porque não há como preencher.
Meu lugar no mundo
é menor que eu,
porque sou inteiro o mundo todo
e mais
e, portanto, sou somente nada.
Postado por
Unknown
às
9:54 AM
1 comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, crise existencial, depressão, estética da alma
7.3.08
Joio e Trigo
Joeirar
O que se vai falar.
Pensar muito
No intuito
De não dizer
Asneira.
Mas, se são
As palavras
Como lavas
De um vulcão ativo,
Como suster o crivo
Se for para dizer:
Mulher,
Sou louco
Por você!
Postado por
Unknown
às
9:43 PM
0
comentários
Marcadores: a musa, autocrítica, coragem, eros, fidelidade à verdade, loucura, relação amorosa
9.2.08
Narciso Terrificado
Ferve
Minha verve.
Quando Escrevo,
Exponho meu nervo.
Nervuras do real
Racham minha alma
Como raios
Na noite lúgubre.
A perfídia dos,
Como eu,
Homens
Instila
Na tinta negra
O seu fétido.
Assume o ar
O peso do rinoceronte
E sua cegueira o envenena;
Translúcido e opaco,
Sufoca-me
Por não me deixar
Olhar e ver
A minha face.
Ergo-me
Ao Espelho.
O visto
Apavora,
Devora.
Como narciso,
Terrificado,
Demora-me
A Eternidade
A Visão
De Mim(?).
O horror
Dessa Dor
Purga-me,
Apartando-me do humano Ser
Sem deixar de ser Humano
E passo vidas, então,
Aprendendo a só ser
Um Humano Ser Humano.
Publicado no e-zine 16 do Bar do Escritor
Postado por
Unknown
às
3:49 PM
0
comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, covardia, crise existencial, dor, eros, tanatos, tempo, trabalho psíquico, vaidade
19.11.07
Respeito à Hábil Navalha
Vibra no ar o aço flexível da navalha
Sacada na hora improvável.
A ameaçaFaz tremer.
Cadê a fama do matador?
O suor nasce frio
Como lâmina
Penetrando a carne.
O algoz corre morto de medo pelas vielas.
Teme morrer o matador.
Tão cedo não aparecer
Naquelas paragens
São os planos do matador.
Postado por
Unknown
às
8:00 PM
1 comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, bondade, brasil, coragem, covardia, ditadura, ética, heroísmo, indecisão, malandragem, morro, totalitarismo
8.11.07
Tão-Somente Agora
Cada dia que viceja
é óbito dos dias idos
e antevisão embaçada de um devir incerto.
Não corroa assim o tempo:
carpindo o dia que se foi
ainda que antológico
ou de árduo horror.
prelibando o futuro
que, quimera,
é desejo lançado no abismo do nada.
Deixe todo o ontem na sua hora,
em algum arquivo esquecido
em um recanto da memória.
O futuro deixe ser o que será,
sem mapas, rotas, planos.
Arcano inalcançãvel,
tempo impreciso.
Viva intensamente o agora,
ele é todo glória,
resultado de todo o ontem morrido,
promessa incompleta de todo o amanhã ansiado.
Postado por
Unknown
às
11:23 AM
0
comentários
Marcadores: autocrítica, eternidade, futuro, indecisão, leveza, liberdade, memórias, passado, paz interior, tempo, trabalho psíquico
4.11.07
Ficus ou Não Fico
Getúlio:
Fico ou não fico?
Que belos tempos os do Catete,
das paixões e das indignidades:
diga ao povo que não fico
- BAMMM! -
chumbo sobre o músculo cardíaco.
Festejados sejam os
dias do fico.
Coração em fogo:
Fica comigo essa noite?
Vivam todos os que,
a despeito dos mitos,
teimosamente ficam:
árvores encopadas
e ficantes extasiados.
Não digo o fico do Pedro,
cuja altivez tinha à cabeça
pedras quiçá moles demais.
Afinal, mais valem para mim
os majestosos ficus elásticos
da minha Usina da Tijuca querida
à sandice dos que não ficam
por vontade ou falta de coragem.
Postado por
Unknown
às
9:58 AM
2
comentários
Marcadores: árvore, auto-estima, auto-imagem, autocrítica, casal, coragem, covardia, eros, paz interior, relação amorosa, rio de janeiro, tanatos, usina da tijuca
2.11.07
Vazio Essencial
Sofro da falta de algo. Um vazio alimenta minha insatisfação. Uma ausência que não tenho como definir. Um desânimo... Um descontentamento... Um... sei lá o que.
Diante desse sentir (ou seria um não sentir?) uns se matam, outros se deixam morrer. Eu, à minha vez, por superior coragem ou por infinita covardia, sigo a viver.
Minha letra
Minha pauta
Minha música
Meu também o desalento
Postado por
Unknown
às
7:06 AM
0
comentários
Marcadores: auto-imagem, autocrítica, coragem, covardia, depressão, dor, fidelidade à verdade, liberdade, loucura, paz interior, tanatos, trabalho psíquico
30.10.07
Pessoa Pessoalmente
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena,
Citam
E Recitam
Pessoas
Pessoa.
E o que disse
Pessoa
Ao isso escrever?
Pessoalmente,
Creio
Ter dito Pessoa:
Seja pequena
A alma
Da Pessoa
E a ela
Tudo não valerá a pena.
__________________________________
para ver a repercussão e alguma história deste poema vá ao (DI)VERSOS [orkut], clique aqui.
Postado por
Unknown
às
8:52 AM
1 comentários
Marcadores: agape, autocrítica, diferença, ditadura, dor, estética da alma, ética, fernando pessoa, loucura, o Outro, pacififismo, paz interior, repressão, totalitarismo, vaidade, viver em sociedade
29.10.07
A Ruína
Ao velho que quero ser
Que de mim ficou
depois de todos esses anos
que estive vivo?
Uma ruína
que se foi arruinando
e que me foi constituindo
aos poucos.
Sulcos que me cortam a cara,
emoldurada em brancas nuvens de paz.
As memórias orgulhosas
de fatos obscuros
ou claros
como a memória que tenho.
O olhar profundo,
afundado em você,
que agora me olha.
Um olhar que desespera a morte,
que, certa, vai chegar.
e terá, mesmo vencedora,
cedo, cedo demais,
que me enfrentar.
Sonho esta ruína agora,
porque, hoje,
sou eu quem me desconstrói.
Postado por
Unknown
às
10:06 AM
0
comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, diferença, estética da alma, estética dos corpos, memórias, o Outro, tempo, trabalho psíquico, velhice, viver em sociedade
25.10.07
Entre Dentro e Fora
Se hoje sai
é porque não pode ficar dentro.
Se, depois, entra
é que também não pode ficar fora.
E assim vai,
ora entra,
ora sai.
Ai,
como dói lancinante essa dor cruel!
O indeciso acabou estático
na soleira da porta do céu.
Postado por
Unknown
às
4:08 PM
2
comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, crise existencial, dor, estética da alma, indecisão, liberdade, loucura, paz interior, totalitarismo, trabalho psíquico, vaidade
19.10.07
Os Alienistas
ao Machado de O Alienista
Os outros olham os loucos
Como se não fôssemos todos nós
A confabular com o vazio.
Os outros olham os loucos
Como se não fossemos todos nós
Os alienados.
São poucos os loucos
Que sabem da própria loucura,
Que sabem da dor por todo o canto
E seguem mais ou menos sãos
Entre escombros por todos os lados.
Estamos todos internados em um mundo
Em que basta um segundo
Para que tudo caia.
São todos esses outros uns doidos
A negar a realidade
E rindo dos loucos
Que não a negaram
E que, por isso, tampouco
A tomaram para si.
Postado por
Unknown
às
3:43 AM
1 comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, diferença, ditadura, dor, estética da alma, liberdade, loucura, paz interior, trabalho psíquico
13.10.07
Lili Berra
A menina Lili,
linda:
Grita!
Berra!
Urra!
O que busca
a Lili menina?
A libérrima liberdade
do vôo furtacor
da libélula.
Liberte-se, mulher!
Você já tem todas as cores,
a paleta
e o pincel.
Postado por
Unknown
às
8:11 AM
2
comentários
Marcadores: a musa, auto-imagem, autocrítica, crise existencial, estética da alma, feminilidade, feminismo, fidelidade à verdade, heroísmo, histórias infantis, liberdade, paz interior, trabalho psíquico
29.9.07
Errático
Ando a esmo
procurando não encontrar
aquela lembrança
que não está em nenhum lugar
Ando a esmo.
para não olhar em mim
o fato passado
que insiste presente.
Ando a esmo,
para, ao errar,
inebriar a mente
com estupefacientes
e fazê-la adormecer
e sonhar
com memórias
impossíveis.
Postado por
Unknown
às
8:17 AM
1 comentários
Marcadores: auto-imagem, autocrítica, depressão, fidelidade à verdade, liberdade, memórias, passado
5.9.07
Haverá Santos?
Espíritos judiciosos,
venho, por meio desta,
lhes interrogar:
quem presta?
Os mortos,
por obséquio
e em reverente temor ao nosso futuro obscuro,
não considerem.
Eu,
que não sou morto ainda,
duvido às vezes,
muitas, para ser sincero,
se eu próprio
(não me quero subtrair às críticas)
sou lá flor que se cheire.
Portanto,
respondam sem ficção:
se suas judiciosíssimas pessoas fossem confiar
do mesmo jeito, grau e modo
em que confiaram em vocês,
o mundo ia ter mais ou menos cor?
Postado por
Unknown
às
9:43 AM
0
comentários
Marcadores: autocrítica, ética, gênero, viver em sociedade
4.11.06
Meu Bom Demônio Mau
Os vícios
E todos os malefícios
Que só sonhei causar.
Sem jeito,
Um bom demônio
É o que há em mim.
Ele me atormena
Não sendo ruim.
Postado por
Unknown
às
1:15 PM
0
comentários
Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, bondade, covardia, crise existencial, demônio, dor, estética da alma, loucura, viver em sociedade
