Era uma vila operária habitada por trabalhadores da fábrica de telhas e da de tecidos Maracanã. A lida era dura. Labutavam muito. Iam dormir com as galinhas e com os galos despertavam. Isso em um tempo em que o ditado se dava literalmente, quando, na Usina da Tijuca, ainda se morava em casas com galinheiros e em que os galináceos andavam soltos pelas ruas, ciscando ali e acolá.
Pois bem, o fato é que todos se retiravam por volta da hora do Angelus, para fazer suas preces e, ato contínuo, dormir.
Havia vezes, entretanto, em que a rotina era quebrada. Das casas ouvia-se um som surdo e, em resposta, seus moradores saíam em camisolões alvoroçados. Iam atrás dela, a jaca que caíra, em aberta competição. Até que se ouvia um grito de rasgada euforia. Um deles a havia encontrado. Catava o troféu e em atitude vencedora, o levava secundado por uma procissão. O felizardo adentrava a sua casa, retalhava a jaca e compartia sua vitória com os demais. Todos teriam jaca para o café da manhã seguinte.
9.3.08
Competitividade Jaqueira
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2:38 AM
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19.11.07
Respeito à Hábil Navalha
Vibra no ar o aço flexível da navalha
Sacada na hora improvável.
A ameaçaFaz tremer.
Cadê a fama do matador?
O suor nasce frio
Como lâmina
Penetrando a carne.
O algoz corre morto de medo pelas vielas.
Teme morrer o matador.
Tão cedo não aparecer
Naquelas paragens
São os planos do matador.
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8:00 PM
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7.11.07
Santa Guerreira Atéia
(à Nane, minha mulher guerreira)
Gosto desse seu ar
De absoluta revolta
Contra as atrocidades
Do mundo.
Você não acredita em céu,
Nem no ir e vir
Da alma.
Mas, apesar de nenhuma fé,
Segue calma,
Acreditando no homem
Como ele é:
Terrível e terno,
Justo e iníquo
Mau e bom.
Nesse seu caminho
Não se ouve som
De lamento,
Só o das suas armas
Para essa guerra
Que a vida encerra
Ao querer perpetuar-se
Pela matéria.
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12:08 PM
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4.11.06
Meu Bom Demônio Mau
Os vícios
E todos os malefícios
Que só sonhei causar.
Sem jeito,
Um bom demônio
É o que há em mim.
Ele me atormena
Não sendo ruim.
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