Burrice da vontade
loucura do desejo
achar que somente nos serve
o que a gente quer
Inúmeras experiências
fora do campo da nossa vontade
morrem vãs
sem por nós serem vividas
Objetos infinitamente vários passam
sem merecerem o nosso toque
ou sequer atraírem o nosso olhar
Pessoas e suas vastidões
permanecerão para sempre inexploradas
Ignotos universos paralelos
Não podemos ter tudo
e nosso desejo é filtro bem-vindo
mas não podemos deixá-lo reinar absoluto
fazendo-nos infelizes se não cumprimos a totalidade dos seus decretos
Que de uma impossibilidade
venham todas as possibilidades de um mundo aberto ao nosso redor
porque aberta permanecerá a cela do nosso peito
e o nosso coração jamais será escravo do nosso desejo
Assim seja por nós!
30.8.11
Somente o que se quer e ponto de exclamação?
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Unknown
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4.12.07
Inebriante
Sinto-me tonto
totalmente
é esse teor absurdo
de qualquer coisa em você
é esse seu absinto
inebriante profundo
que faz girar o mundo
no entorno de ti.
Você me faz
perder o chão
a dizer sempre sim
nunca jamais não.
Vou às pressas
associar-me
aos amadores compulsivos anônimos.
Poesia,
amo vossa excelência
deseperançosa
e desesperadamente.
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Unknown
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Marcadores: criatividade, metalinguagem, musas
2.12.07
Acaso Poético
É que o acaso
Faz-me escrever assim:
Meio fora de Mim.
Dou asas livres
À imaginação
E ela voa
Engraçada:
Sem rumo,
Sem nada.
Este.
Oeste.
Norte.
Sul.
Ela voa
No vazio
Cheia de si.
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Unknown
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17.10.07
Bolar a Bola
Frio seco,
Dois irmãos
Em tocas de meia
Jogam bola.
É minha!
Não é!
É!
Zoeira,
Gritaria,
Algazarra.
Dominical,
O Jornal
Samba no chão
Contrariado.
Bola rasgada
Inclementemente
Ao meio.
Chororô,
Meias bola,
Bola nenhuma,
Bolas de meia!
Brincam
Os meninos
Com bolas de meia
E, em capacetes de meia bola,
Sobem e descem
Ladeiras.
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Unknown
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30.6.07
Vômito Poético
[valew,Perrone]
Minha mãe não me colocou no mundo,
Me pariu nele.
Olhei em volta,
Deu asco o que vi,
Vomitei
Ventos e flores,
Sóis e putarias.
Vômito antitético,
Gestante da poesia.
Êta com arde!
Arde àgua da peste!
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