Não sou a imagem que me reflete no seu cérebro,
no meu ou no de quem seja
Sou pedaço eterno de vida limitada no tempo
não dou inteiro no regaço de um colo
sou poço de águas limpidamente turvas
e impossível (e perigosa) é essa vontade de tocar o fundo que não há
Mas há em mim o que se pode ver
até onde se pode ir
posso até matar a sede de alguns poucos desejos
Não queira, entretanto, me definir
o ser eu que sou é indefinível, abstrato, oco, cheio de ar
Sou eu mesmo um espelho refratário às definições
especialmente se se quer conhecer por meio de mim.
30.9.11
Quem sou não sei eu, o que dirá você!
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4.3.08
Acordados por Sonhos Somos
No meio da noite
Acordados
Por sonhos
Somos
Poder
O mundo supor
Nossos desejos interditos
Apavora e encanta
A batalha maior
Vencer o outro em nós
E gozar nos campos do real
As fantásticas miragens da fantasia
O pensamento
Nau dessa viagem
Do conhecimento de nós
Dor e delícia nossa
Nos leva
Quanto mais fundo
E longe se vai
Menos dói a dor
E mais deliciosa a delícia
De ser e saber o que se é
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5:58 AM
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Marcadores: coragem, covardia, ditadura, dor, eros, fidelidade à verdade, insônia, liberdade, loucura, o Outro, realidade, repressão, sonhos, tanatos, trabalho psíquico, viver em sociedade
5.12.07
Modus vivendi
Aonde vou
depois de tudo.
Depois de ninguém mais me ouvir ou ver
por ter-me tornado um nada invisível e mudo.
Não sei para onde vou,
mas sei que agora sou.
Depois não sei mais se serei
nem, se for, se serei pior ou melhor.
Sei onde estou a agora:
sobre essa terra que me dá chão,
ao sabor desta brisa que me beija inteiro.
O que sei é que estou vivo:
durmo e acordo,
como e bebo,
defeco e urino,
tenho amigos e inimigos,
prazeres e dores.
Vivo simplesmente a grandiosidade da vida que que me foi dada.
É o meu jeito de reverenciá-la,
de tentar sair dela quase a deixando como a encontrei:
sagrada e intocada para quem virá.
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3.12.07
Da Flor ao Horror
Flor
Rima-ímã
De amor
Amor
Rima-ímã
De dor
Dor
Rima-ímã
De horror
E assim
Foi que passaram
Da flor ao amor
Do amor à dor
Da dor ao horror
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11:26 AM
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Marcadores: casal, dor, eros, gênero, o Outro, relação amorosa
9.11.07
Exortação aos Meninos de Hoje e de Amanhã
Tem fé menino,
tem fé menino,
tem feminino na mulher.
Enamora aquela
que te sabe simples e frágil masculino,
menino gerado no ventre da sua primeira e ancestral mulher.
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5.11.07
BOPE - Beleza de Operação Especial
Minha gatinha
é mesmo muito linda
Ela anda pelas ruas
enquanto olha o mundo
Se um do mundo cai
ela é capaz de desviar-se do caminho
para salvá-lo
Como não a amar
de amor maior?
Como não ser servidor
do serviço a que ela serve?
Serviçal
ás vezes quente
às vezes fria
às vezes dura
às vezes suave
às vezes doce
às vezes Docinho
Mas sempre uma serviçal
que serve
ao mundo
com um sentimento
estranhamente estrangeiro
Salvas à minha menina
santa e atéia
guerreira e super-poderosa
Como ela quantas?
Não há muitas
arriscaria até dizer
só há ela
única e especial.
Minha mulher
mãe do Dan
a você me prendo por vontade.
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31.10.07
A Vida é Bela Menina
As mãos eu mergulho
em rios de sangue
Ela ergue a cabeça a procurar
nas nuvens brancas
Anjos cândidos
A vida é bela
vista da perspectiva
das janelas
dos olhos dela
Sobre a terra
Anjos caídos
são pisoteados por hordas de famintos
por turbas de fanáticos
por bandos de bandidos
Para ela
eu minto:
Filha,
olha para cima,
lá estão as brancas nuvens
onde moram Anjos cândidos.
Viu, menina?
A vida é bela!
___________________________________
para ver a repercussão e alguma história deste poema vá ao (DI)VERSOS [orkut], clique aqui.
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12:08 PM
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30.10.07
Pessoa Pessoalmente
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena,
Citam
E Recitam
Pessoas
Pessoa.
E o que disse
Pessoa
Ao isso escrever?
Pessoalmente,
Creio
Ter dito Pessoa:
Seja pequena
A alma
Da Pessoa
E a ela
Tudo não valerá a pena.
__________________________________
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8:52 AM
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29.10.07
A Ruína
Ao velho que quero ser
Que de mim ficou
depois de todos esses anos
que estive vivo?
Uma ruína
que se foi arruinando
e que me foi constituindo
aos poucos.
Sulcos que me cortam a cara,
emoldurada em brancas nuvens de paz.
As memórias orgulhosas
de fatos obscuros
ou claros
como a memória que tenho.
O olhar profundo,
afundado em você,
que agora me olha.
Um olhar que desespera a morte,
que, certa, vai chegar.
e terá, mesmo vencedora,
cedo, cedo demais,
que me enfrentar.
Sonho esta ruína agora,
porque, hoje,
sou eu quem me desconstrói.
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10:06 AM
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5.9.07
Histórias para Infantes
(ao Danilo, meu filho, que me conta histórias como essas desde que nasceu, diariamente)
Onde está o mundo
Em que vivi na infância:
Histórias fantásticas de heróis
Saindo-se vencedores
Por serem íntegros,
Quase santos?
Outras deveriam ser as fábulas
A nos preparar a ser heróis:
Sem vitória,
Sem gala,
Sem nada.As histórias infantis
Que imagino
Ensinariam
Ao menino e à menina
Viver a angústia do outro
(e a sua própria)
Sem a esperança
Do acalanto de aplausos
Ou da surra das vaias.
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9:55 AM
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