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1.6.08

Memórias para mais

Com serenidade e paz
a memória se faz
e dela a realidade perdida
brota brejeira

A voz ao longe
do verdureiro na feira

O verde matizado
da mata

O rubro intenso
do batom da mulata

A voz do meu amor
a dizer juras eternas
em um absoluto atemporal
que por tudo se espraia

O manequinho
apregoando o jornal

Alegria, alegria,
Caetano cantando loas ao Sol.

Domingo no Maraca
com o antigo futebol.

Tudo, enfim, que foi bom
surge
e nos dá
a mão

8.11.07

Tão-Somente Agora

Cada dia que viceja
é óbito dos dias idos
e antevisão embaçada de um devir incerto.

Não corroa assim o tempo:

carpindo o dia que se foi
ainda que antológico
ou de árduo horror.

prelibando o futuro
que, quimera,
é desejo lançado no abismo do nada.

Deixe todo o ontem na sua hora,
em algum arquivo esquecido
em um recanto da memória.

O futuro deixe ser o que será,
sem mapas, rotas, planos.
Arcano inalcançãvel,
tempo impreciso.

Viva intensamente o agora,
ele é todo glória,
resultado de todo o ontem morrido,
promessa incompleta de todo o amanhã ansiado.

21.10.07

O Último Tigre da Estirpe

ao Danilo, meu filho cordial e único, e à Nane, posseira do seu primeiro solo

Em seu colo,
solo fértil,
semeei
o coração de um Rei
dentro do qual renasci forte.

Só eu sei
o quanto me fiz presente lá,
inteiramente.

Continuação da estirpe humana
e da dos nossos predessessores retos.

Nosso filho tem um reino para governar:
o da vida dele mesmo,
no seu tempo e lugar.

29.9.07

Errático

Ando a esmo
procurando não encontrar
aquela lembrança
que não está em nenhum lugar

Ando a esmo.
para não olhar em mim
o fato passado
que insiste presente.

Ando a esmo,
para, ao errar,
inebriar a mente
com estupefacientes
e fazê-la adormecer
e sonhar
com memórias
impossíveis.

 
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