Mostrando postagens com marcador heroísmo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador heroísmo. Mostrar todas as postagens

31.10.08

O Catador

Passa o dia a revirar
latas,
sacos,
monturos.

É papel limpo,
sujo,
muito papelão:
caixas de impressoras,
micros,
geladeiras,
tvs,
fogões.

Antigos furos:
jornais mortos,
revistas idas.

É ele quem junta tudo
sobre a carroça.

É ele próprio
quem carrega,
a cada dia,
a história da nação,
para reciclar.

25.1.08

Vó Dulce

Fiquei mais só:
um pedaço da história
da minha infância,
adolescência,
juventude
e idade adulta
se foi agora
com a partida da minha avó frondosa.

Ela me deixou
mais triste
e feliz.

Tristeza de não mais vê-la,
de não mais poder aninhar-me
no regaço da sua dupla maternidade
na linha reta
que a ligava a mim
por intermédio de minha mãe.

Felicidade de lembranças claras e luminosas:
ela no seu jardim diariamente
às voltas com latas, vasos e vidas pintadas de branco.
A terra acomodada com carinho,
com a fé, a força e a determinação
de que era fértil aquela terra e bom o adubo,
de que suas sementes vingariam em rebentos,
de que seus rebentos cresceriam e viriam a ser árvores um dia,
de que as árvores floresceriam,
flores das quais adviriam vários e saborosos frutos:

Aires, que deve estar, radiante, de volta à sua companhia,
Ariza,
Eu,
Raquel,
Soráya,
Fábio,
Luciana,
Felipe,
Fabrício,
Alessandra,
Natália,
Juliana,
Ígor,
Danilo,
Amanda
Luísa ...

Em todos, esteja certa minha avó,
viceja sua seiva.

Que a paz do dever cumprido em alegre harmonia lhe acompanhe,
sempre.

25.12.07

Textura de Coragem

A todos os anos novos

Remendo
Todos os medos,
Meros arremedos
Com textura aparente de coragem.
Estiagem
Entre tempestades
De renovados assombros
E mais escombros
Sobre mim.

Medo madrugador
De linhas fracas
A arrebentar
Na minha Alma.

Calmo,
Corro a tomar a agulha do Real,
Para com a minha linhagem,
Costurar um elmo,
De lona tosca e bruta,
Do meu sangue rubra,
Para que me cubra
Com a verdadeira textura da coragem
Contra os fatídicos destroços
Dos tempos futuros de outras ilusões,
Rainhas destronadas
Do espírito meu.

19.11.07

Respeito à Hábil Navalha

Vibra no ar o aço flexível da navalha
Sacada na hora improvável.

A ameaçaFaz tremer.
Cadê a fama do matador?

O suor nasce frio
Como lâmina
Penetrando a carne.

O algoz corre morto de medo pelas vielas.
Teme morrer o matador.

Tão cedo não aparecer
Naquelas paragens
São os planos do matador.

7.11.07

Santa Guerreira Atéia

(à Nane, minha mulher guerreira)

Gosto desse seu ar
De absoluta revolta
Contra as atrocidades
Do mundo.

Você não acredita em céu,
Nem no ir e vir
Da alma.

Mas, apesar de nenhuma fé,
Segue calma,
Acreditando no homem
Como ele é:
Terrível e terno,
Justo e iníquo
Mau e bom.

Nesse seu caminho
Não se ouve som
De lamento,
Só o das suas armas
Para essa guerra
Que a vida encerra
Ao querer perpetuar-se
Pela matéria.

5.11.07

BOPE - Beleza de Operação Especial

Minha gatinha
é mesmo muito linda

Ela anda pelas ruas
enquanto olha o mundo

Se um do mundo cai
ela é capaz de desviar-se do caminho
para salvá-lo

Como não a amar
de amor maior?

Como não ser servidor
do serviço a que ela serve?

Serviçal
ás vezes quente
às vezes fria

às vezes dura
às vezes suave

às vezes doce
às vezes Docinho

Mas sempre uma serviçal
que serve
ao mundo
com um sentimento
estranhamente estrangeiro

Salvas à minha menina
santa e atéia
guerreira e super-poderosa

Como ela quantas?

Não há muitas
arriscaria até dizer
só há ela
única e especial.

Minha mulher
mãe do Dan
a você me prendo por vontade.

31.10.07

A Vida é Bela Menina

As mãos eu mergulho
em rios de sangue

Ela ergue a cabeça a procurar
nas nuvens brancas
Anjos cândidos

A vida é bela
vista da perspectiva
das janelas
dos olhos dela

Sobre a terra
Anjos caídos
são pisoteados por hordas de famintos
por turbas de fanáticos
por bandos de bandidos

Para ela
eu minto:

Filha,
olha para cima,
lá estão as brancas nuvens
onde moram Anjos cândidos.

Viu, menina?
A vida é bela!
___________________________________

para ver a repercussão e alguma história deste poema vá ao (DI)VERSOS [orkut], clique aqui.

13.10.07

Lili Berra

A menina Lili,
linda:
Grita!
Berra!
Urra!

O que busca
a Lili menina?

A libérrima liberdade
do vôo furtacor
da libélula.

Liberte-se, mulher!
Você já tem todas as cores,
a paleta
e o pincel.

5.9.07

Histórias para Infantes

(ao Danilo, meu filho, que me conta histórias como essas desde que nasceu, diariamente)

Onde está o mundo
Em que vivi na infância:
Histórias fantásticas de heróis
Saindo-se vencedores
Por serem íntegros,
Quase santos?

Outras deveriam ser as fábulas
A nos preparar a ser heróis:
Sem vitória,
Sem gala,
Sem nada.

As histórias infantis
Que imagino
Ensinariam
Ao menino e à menina
Viver a angústia do outro
(e a sua própria)
Sem a esperança
Do acalanto de aplausos
Ou da surra das vaias.

 
web stats hits
web stats hits