Gil, meu Ministro da Cultura, que desde sempre investi nesse ministério,
obrigado por tudo. Mas principalmente pela seguinte lição, por aprendida por mim, do meu jeito, jeito que não quero parar de aprender jamais. Peço licença, para, com sentimento, exaltar seu magistério e também (por que não?), apresentar os meus apontamentos de aula.
A lição ministrada:
Flora
Imagino-te já idosa
Frondosa toda a folhagem
Multiplicada a ramagem
De agora
Tendo tudo transcorrido
Flores e frutos da imagem
Com que faço essa viagem
Pelo reino do teu nome
Ó, Flora
Imagino-te jaqueira
Postada à beira da estrada
Velha, forte, farta, bela
Senhora
Pelo chão, muitos caroços
Como que restos dos nossos
Próprios sonhos devorados
Pelo pássaro da aurora
Ó, Flora
Imagino-te futura
Ainda mais linda, madura
Pura no sabor de amor e
De amora
Toda aquela luz acesa
Na doçura e na beleza
Terei sono, com certeza
Debaixo da tua sombra
Ó, Flora
"A Arte Final"
A Musa:
Flora Tropicalista, subjaz raiz da Cultura
A Veja desta semana publica o perfil da agreste Flora Gil, mulher desse ser tão baianamente preto Gil.
[ por força da política comercial da revista, o conteúdo com a íntegra da matéria só está liberada para a leitura e deleite de todos em duas ou três semanas, mas já foi pior]
Apontamento nº 1:
O Remédio cuja ausência Remedeia
(a Nane, o que de mais valor encontrei)
Dei-lhe a mão
e todo o meu mais.
Meu coração
pela vida inteira
dela será.
Servido à luz de sóis nascentes
e guarnecido de beijos inflamados,
ele terá nela,
enquanto bater,
a ventura adrenalina.
E caso ela não mais me queira,
não descansarei jamais,
como já descansei à sombra
do seu amor.
Porque ele,
um tanto acre, um tanto doce,
arrebatou-me
irremediavelmente.
Apontamento nº 2 :
MiAu
Que isso?
Um gata?
Não, é uma canção
que acredita
que não há dita:
a paz
entre
ferinas
e caninos;
entre
femininos
e masculinos:
é possível sim;
Por que
não?
Seria
a Vida!
Apontamento nº 3 :
Quimera Ardente
Conheci a ti,
ardor
em meu corpo:
por mim.
O tempo passa,
ardor
em meu corpo:
por ti.
Anos a fio,
ardor
em meu corpo:
renasci.
Envelhecemos,
ardor
em meu corpo:
me consumi.
Feneceste,
o ar é dor
em meu corpo:
me perdi.
O amor é fogo
que arde
e só parece doer.
Minha Musa:

Obrigado, ao senhor Ministro deste subúrbio da rede
chamado Parabolicamará e
Amigô de Monsieur Binot,
que espero conhecer, porque, pelo que ouvi:
já é.
7.9.07
Que todas sejam FLORAS, que o mundo seja quintais com pomares para nos nutrir e descansarmos das batalhas
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5.9.07
Histórias para Infantes
(ao Danilo, meu filho, que me conta histórias como essas desde que nasceu, diariamente)
Onde está o mundo
Em que vivi na infância:
Histórias fantásticas de heróis
Saindo-se vencedores
Por serem íntegros,
Quase santos?
Outras deveriam ser as fábulas
A nos preparar a ser heróis:
Sem vitória,
Sem gala,
Sem nada.As histórias infantis
Que imagino
Ensinariam
Ao menino e à menina
Viver a angústia do outro
(e a sua própria)
Sem a esperança
Do acalanto de aplausos
Ou da surra das vaias.
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Haverá Santos?
Espíritos judiciosos,
venho, por meio desta,
lhes interrogar:
quem presta?
Os mortos,
por obséquio
e em reverente temor ao nosso futuro obscuro,
não considerem.
Eu,
que não sou morto ainda,
duvido às vezes,
muitas, para ser sincero,
se eu próprio
(não me quero subtrair às críticas)
sou lá flor que se cheire.
Portanto,
respondam sem ficção:
se suas judiciosíssimas pessoas fossem confiar
do mesmo jeito, grau e modo
em que confiaram em vocês,
o mundo ia ter mais ou menos cor?
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23.8.07
Eu não sou Perseu
Medusa, me ameaça a virilidade. Eu com uma cobra entre as pernas, ela com dezenas na cabeça. Lutei ferozmente. Venci quando arremessei pela janela os vários espelhos que havia na alcova. Sem os espelhos, a Medusa ficou insegura acerca do seu próprio poder. O encanto se desfez e vi a verdade: a Medusa era uma menina mimada cheia de minhocas na cabeça.
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22.8.07
sobre as cabeças os urubus
Como os exus bebuns devem saber, eu não sou muito chegado à prosa não. Comigo a conversa quanto mais curta e grossa melhor. Mas vou arriscar, que o assunto é grave, mais que qualquer gravame que um tombo poderia me trazer, mesmo aqui, à noite no boteco.
Sou um herético. Os crentes de plantão sempre me acusam de calúnia, injúria e difamação. Dizem que desprezo deus solenemente e, por isso, se escandalizam, uma vez que votam profunda adoração por ele. Para arrematar, reverberam a nave dos templos com imprecações, porque me têm como idólatra.
Nisso lá têm razão os adoradores de deus. De fato, tenho os meus ídolos. Os dos 60 são de minha predileção. Eles foram formidáveis. Porque leves, puros, ingênuos, loucos e anárquicos eram humanos, profundamente. Ídolos em idílio com utopias possíveis, não fossem os crentes no deus único. A conjuntura era de crise aguda dos valores defendidos por párocos e generais. Estes importaram órgãos explícitos de repressão, aqueles providenciavam a caridosa extrema-unção.
Na lateral oposta da nossa esfera mundana, já vinham, há algum tempo, conspurcando a materialidade da história, ciência da locução perfeita da verdade. Mais claramente, falo da adulteração de documentos, como o retoque de fotos para a supressão da qualidade correligionária dos traidores.
Imagina isso tudo hoje? Impossível. Os ídolos, aqueles dos 60, ruíram convertidos ao deus único de todas as profissões da fé: o maldito dinheiro. E os censores evoluíram. Hoje se dedicam à fina arte de suprimir a nudez que há na nudez dos corpos, concretos em carne ou retratados em pixels ou papel couche nas revistas e websites.
Tristes tempos, os amantes continuam a precisar de véus e sombras. E pensar que lá nos 60 parecia que tudo ia ser dado à luz. Hoje não há mais necessidade dos órgãos de repressão, porque há superabundância de órgãos de depressão.
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1.7.07
Topada na Pedra: Topázio?
Poetiza Drummond:
No meio do caminho,
Uma pedra.
Uma pedra
No meio do caminho.E agora José?
É perguntar:
O que és,
Em essência,
Pedra?Amálgama de pó!
Só?
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30.6.07
Vômito Poético
[valew,Perrone]
Minha mãe não me colocou no mundo,
Me pariu nele.
Olhei em volta,
Deu asco o que vi,
Vomitei
Ventos e flores,
Sóis e putarias.
Vômito antitético,
Gestante da poesia.
Êta com arde!
Arde àgua da peste!
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22.6.07
Solidown w/u
Como o grão
De pó
Na estrada,
Sou só
Solidão
Acompanhada.
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3.6.07
Condenada no ventre, a razão
O siso
Apodreceu incluso.
Sofreu, claustrofóbico,
O peso do seu futuro.
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ruído no grito da sirlei
o grito
atinge minha alma
que, ferida,
foge fingida
de onde gritou o grito:
rito urbano- não tenho nada a ver com isso!
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23.5.07
Da Vida Réu Confesso
Arranca
força e coragem
do tambor do peito
para confessar: vivo!
Então, vivo siga vivendo
até que seu sorriso
eternamente na máscara mortuária
permaneça sorrindo.
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2.3.07
Justiça dos Deuses
Uma unidade
de três
me habita.
Um deles,o mais parrudo,
escapa, invade a cena
e grita:
É crime tudo
o que queres.
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18.1.07
A Realidade Sorri
A realidade,
Enigma de esfinge,
Sorri.Sorri se há risos,
Se há choro, sorri.Eu não a compreendo,
Que sempre impassível sorri,
Mas vivo nela,
Dela não me posso evadir.E pela minha vida eu vou
Ora rindo, ora chorando,
Enquanto ela fica sorrindo,
Sorrindo para mim.
technorati tags:poesia, realidade, impassível
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18.12.06
Sono de Curumim Grande
Pela cama que deito,
Corre uma líquido frio:
Cama minha,
Leito de rio.
Refrigerada minha alma fica,
Imersa nessas águas límpidas,
Em que moram Iaras,
Iluminadas por Boitatas.
Acorde, paspalhão!
Tá na hora, tá na hora
De ganhar o pão!
Cuca malvada passou por aqui,
Levou embora
Meu sonho guri!
Tudo passa, tudo passa:
As Iaras,
Os Boitatás,
A Cuca,
O guri
O paspalhão
E eu.
Enquanto tudo não passa
Aproveite o guri o sono;
As Iaras, os Boitatás;
A Cuca, o paspalhão;
O paspalhão, a modorra
E eu, a vida.
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4.11.06
A Massa
Amasse
A massa
Amorfa,
Amasse.
Bata
Raivosa.
Veja
A massa,
Amassada
Com as mãos,
Moldar-se
Lentamente,
Dissipando
O furor.
E toda dor
Em cor
Tornar-se.
Você fez
Um Deus
Ou uma vasilha?
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1:38 PM
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Meu Bom Demônio Mau
Os vícios
E todos os malefícios
Que só sonhei causar.
Sem jeito,
Um bom demônio
É o que há em mim.
Ele me atormena
Não sendo ruim.
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21.9.06
Horário Eleitoral Gratuito
Águas jorram
Putrefactas
Signos
Treslidos
Açoitam
O ar
Viola
De repente
No sense
Fala de
Louco
Mouco
Palavra forte
Sem prumo
Norte
Ou rumo
Palavra torta
Coração sem
Aorta
Tatu Jeca
Feliz
Jair sem Neneca
Neneca sem Jair
Címbalos
Que tinem
Algazarra
Infecundo
Oco do Mundo
Num inconcepto parir
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11:34 AM
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5.8.06
Erosão Onírica
As coisas só se revelam à consciência por meio da frustração que provocam . Heidegger
Gotas de realidade
Sobre meus sonhos
Se abateram tanto
Que fizeram trilhões de rombos
De maneira que não os reconheço mais.
Onde está a beleza de tudo?
O frescor? A luz?
Onde estão os poemas de amor e suas flores?
Tudo se foi.
Ficou tão-somente essa cor pálida, sem graça,
Da trapaça da vida sobre mim.
Mas se Heidegger estiver certo,
Resta enlutar-me
E (quem sabe?)
No fim dessa luta que é o luto -
Essa batalha entre o que é e o que desejo -
Possa eu aceitar como agradável o beijo
Da realidade sobre mim.
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4:32 PM
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23.6.06
Mude Grande
Ande,
Desista de ser grande.
Seja meramente.
Grão de feijão
No tutu
Da gente.
Seja homem comum.
Viva a cada um
Os dias que vierem.
Diga não
Ao ímpeto
Da sua planta dos pés
Em abandonar o chão.
Seja, enfim, o que você é.
Branco no preto,
Nu e cru,
Vazio ou cheio.
Que o último suspiro
Inteiro o leve.
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2:11 AM
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22.6.06
Vidência
Vermes
Desmantelarão
As suas entranhas
A uma geléia pútrida e fétida
Será reduzido
O seu corpo
A morte
É o seu futuro
Inapelável
Considere isso
E, de agora, viva,
De fato, sob essa velha perspectiva
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Unknown
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9:35 AM
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