A leveza
põe-se à mesa.
No entorno,
Pessoas -
as mais diversas -
esperam a hora
de fartarem-se.
Então, finalmente, satisfazem-se
com a leveza, que,
toda consumida,
permanece inteira o que é.
16.10.07
À Mesa com Leveza
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Dias Sem Fim
Canso dos dias
Uns atrás dos outros
Todos numa fila imensa
A espera de mim
Que não quero seguir
A estrada do tempo até o seu fim
Queria sim
Parar o tempo no momento de um beijo
Que, eterno, dê-me da boca o seu frescor
Sempre te amar, amor
Sem a morte para nos separar
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15.10.07
Suavidade Diamantina
A suavidade é um diamante bruto
que o bruto carrega no peito.
Lapidado
na procura da doçura,
extasia e encanta.
Mas o tempo passado no trabalho
de fazer brilhar o valor,
infelizmente,
é ofuscado para a maioria,
pelo brilho do divino
que sempre existiu no homem
e que somente ,
de um momento para o outro (?),
passou a refulgir
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13.10.07
Lili Berra
A menina Lili,
linda:
Grita!
Berra!
Urra!
O que busca
a Lili menina?
A libérrima liberdade
do vôo furtacor
da libélula.
Liberte-se, mulher!
Você já tem todas as cores,
a paleta
e o pincel.
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10.10.07
Entre Dentro e Fora
Se hoje sai
é porque não pode ficar dentro.
Se, depois, entra
é que também não pode ficar fora.
E assim vai,
ora entra,
ora sai.
Aí,
como dói lancinante essa dor cruel!
O indeciso acabou estático
na soleira da porta do céu.
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10:52 AM
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9.10.07
Quimera Ardente
Conheci-te,
ardor
em meu corpo:
por mim.
O tempo passa,
ardor
em meu corpo:
por si.
Anos a fio,
ardor
em meu corpo:
nasci.
Envelhecemos,
ardor
em meu corpo:
me consumi
Feneceste,
o ar é dor
em meu corpo:
me perdi.
O amor é fogo
Que arde
e só parece doer.
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8.10.07
O Livro em que se Aprende à Vera
O manuscrito
precioso
de deleite e dor
é a nossa vida afinal
Todas as vidas que vivemos
a da casa
a da rua
a da nossa alma nua
para quem pode olhá-la
Somente um
pode olhá-la
vê-la
e melhorá-la
Nós
somente
e a sós
com ou sem
os outros
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3:24 PM
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6.10.07
O Doce Bárbaro Jesus
O mesmo homem que faz a guerra,
Traz-me a paz.
Que mistério esse ser em si encerra,
Aceito-o sem nenhum mas.
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Marcadores: PAZ MUNDIAL POR DEUS - JESUS E TODOS
5.10.07
Tombo
Mais uma vez
abriu-se um vão
sob mim.
Caí,
profundamente.
Lá, no breu,
concluí:
os sonhos
queridos de verdade
demandam
todo o suor.
É...
hidratar-me
é precioso.
__________________________
Repercussão no Bardo Escritor
o metafórico bar do Orkut
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Marcadores: crise existencial, paz interior, trabalho psíquico
29.9.07
Errático
Ando a esmo
procurando não encontrar
aquela lembrança
que não está em nenhum lugar
Ando a esmo.
para não olhar em mim
o fato passado
que insiste presente.
Ando a esmo,
para, ao errar,
inebriar a mente
com estupefacientes
e fazê-la adormecer
e sonhar
com memórias
impossíveis.
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8:17 AM
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23.9.07
Empacar Adianta
... ou Sê teimoso como o Burrico. v 2.0
Se a vida exige pressa,
corra bem devagar,
que o caminho é longo, penoso...
Ô Mula, que carrega
carga pesada,
entre as peças de alto valor,
você é a mais preciosa.
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9:02 AM
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22.9.07
Salgueirense sim. E daí?
Se todos fôssemos
salgueiros que choram
boa,
sublime e sã.
Gente que não pretende,
ser o melhor,
nem o pior também,
mas contenta-se
em ser o que se é.
Que toda gente
entre si
e de per si
é:
apenas
um escolar
diferente.
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5:25 PM
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10.9.07
Pau Brasilis
Ao Dicionário Nei Lopiano do Banto à Minha Pátria Amada
que de madeira sangue
rubro vermelha
fez-se verde
vida
azul do céu do brigadeiro
macaco anil.
No meu dicionário
banto,
banzo aos poucos
foi se minando,
nas minas,
canaviais,
cafezais,
Bahia,
Recife,
Rio,
Minas Gerais,
foi-se tornando
um estrondoso
e veraz amor
pela Terra
de Santa Cruz.
No novo dicionário,
guardo todo o rancor no armário,
quero paz,
nada mais de ais.
A sinonímia é imperfeita
e por isso mesmo cria
paz ecumênica.
Na novel semiologia
do Brasil
teologia dá a libertação,
multicultural, interdisciplinar,
interracial, internacional,
universal
paz mundial.
(de todos porque sem dono ou senhor)
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Marcadores: banto, brasil, cristo redentor, língua portuguesa, nei lopes, pacififismo, PAZ MUNDIAL POR DEUS - JESUS E TODOS, rio de janeiro
Sê teimoso como o Burrico
Que, se na vida tem pressa,
que burro mesmo sabe:
o caminho é longo,
a carga pesada
e, entre as de mais alto valor,
para quem lhe confiou na previdência:
a que lhe pesa o lombo
é a preciosíssima.
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7.9.07
Que todas sejam FLORAS, que o mundo seja quintais com pomares para nos nutrir e descansarmos das batalhas
Gil, meu Ministro da Cultura, que desde sempre investi nesse ministério,
obrigado por tudo. Mas principalmente pela seguinte lição, por aprendida por mim, do meu jeito, jeito que não quero parar de aprender jamais. Peço licença, para, com sentimento, exaltar seu magistério e também (por que não?), apresentar os meus apontamentos de aula.
A lição ministrada:
Flora
Imagino-te já idosa
Frondosa toda a folhagem
Multiplicada a ramagem
De agora
Tendo tudo transcorrido
Flores e frutos da imagem
Com que faço essa viagem
Pelo reino do teu nome
Ó, Flora
Imagino-te jaqueira
Postada à beira da estrada
Velha, forte, farta, bela
Senhora
Pelo chão, muitos caroços
Como que restos dos nossos
Próprios sonhos devorados
Pelo pássaro da aurora
Ó, Flora
Imagino-te futura
Ainda mais linda, madura
Pura no sabor de amor e
De amora
Toda aquela luz acesa
Na doçura e na beleza
Terei sono, com certeza
Debaixo da tua sombra
Ó, Flora
"A Arte Final"
A Musa:
Flora Tropicalista, subjaz raiz da Cultura
A Veja desta semana publica o perfil da agreste Flora Gil, mulher desse ser tão baianamente preto Gil.
[ por força da política comercial da revista, o conteúdo com a íntegra da matéria só está liberada para a leitura e deleite de todos em duas ou três semanas, mas já foi pior]
Apontamento nº 1:
O Remédio cuja ausência Remedeia
(a Nane, o que de mais valor encontrei)
Dei-lhe a mão
e todo o meu mais.
Meu coração
pela vida inteira
dela será.
Servido à luz de sóis nascentes
e guarnecido de beijos inflamados,
ele terá nela,
enquanto bater,
a ventura adrenalina.
E caso ela não mais me queira,
não descansarei jamais,
como já descansei à sombra
do seu amor.
Porque ele,
um tanto acre, um tanto doce,
arrebatou-me
irremediavelmente.
Apontamento nº 2 :
MiAu
Que isso?
Um gata?
Não, é uma canção
que acredita
que não há dita:
a paz
entre
ferinas
e caninos;
entre
femininos
e masculinos:
é possível sim;
Por que
não?
Seria
a Vida!
Apontamento nº 3 :
Quimera Ardente
Conheci a ti,
ardor
em meu corpo:
por mim.
O tempo passa,
ardor
em meu corpo:
por ti.
Anos a fio,
ardor
em meu corpo:
renasci.
Envelhecemos,
ardor
em meu corpo:
me consumi.
Feneceste,
o ar é dor
em meu corpo:
me perdi.
O amor é fogo
que arde
e só parece doer.
Minha Musa:

Obrigado, ao senhor Ministro deste subúrbio da rede
chamado Parabolicamará e
Amigô de Monsieur Binot,
que espero conhecer, porque, pelo que ouvi:
já é.
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11:53 PM
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Marcadores: agape, casal, companheirismo, eros, fidelidade conjugal, filia, flora, gilberto gil, musas
5.9.07
Histórias para Infantes
(ao Danilo, meu filho, que me conta histórias como essas desde que nasceu, diariamente)
Onde está o mundo
Em que vivi na infância:
Histórias fantásticas de heróis
Saindo-se vencedores
Por serem íntegros,
Quase santos?
Outras deveriam ser as fábulas
A nos preparar a ser heróis:
Sem vitória,
Sem gala,
Sem nada.As histórias infantis
Que imagino
Ensinariam
Ao menino e à menina
Viver a angústia do outro
(e a sua própria)
Sem a esperança
Do acalanto de aplausos
Ou da surra das vaias.
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9:55 AM
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Marcadores: auto-imagem, ética, heroísmo, histórias infantis, o Outro, vaidade
Haverá Santos?
Espíritos judiciosos,
venho, por meio desta,
lhes interrogar:
quem presta?
Os mortos,
por obséquio
e em reverente temor ao nosso futuro obscuro,
não considerem.
Eu,
que não sou morto ainda,
duvido às vezes,
muitas, para ser sincero,
se eu próprio
(não me quero subtrair às críticas)
sou lá flor que se cheire.
Portanto,
respondam sem ficção:
se suas judiciosíssimas pessoas fossem confiar
do mesmo jeito, grau e modo
em que confiaram em vocês,
o mundo ia ter mais ou menos cor?
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Unknown
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9:43 AM
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Marcadores: autocrítica, ética, gênero, viver em sociedade
23.8.07
Eu não sou Perseu
Medusa, me ameaça a virilidade. Eu com uma cobra entre as pernas, ela com dezenas na cabeça. Lutei ferozmente. Venci quando arremessei pela janela os vários espelhos que havia na alcova. Sem os espelhos, a Medusa ficou insegura acerca do seu próprio poder. O encanto se desfez e vi a verdade: a Medusa era uma menina mimada cheia de minhocas na cabeça.
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2:23 AM
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Marcadores: feminilidade, feminismo, machismo, masculinidade, relação amorosa
22.8.07
sobre as cabeças os urubus
Como os exus bebuns devem saber, eu não sou muito chegado à prosa não. Comigo a conversa quanto mais curta e grossa melhor. Mas vou arriscar, que o assunto é grave, mais que qualquer gravame que um tombo poderia me trazer, mesmo aqui, à noite no boteco.
Sou um herético. Os crentes de plantão sempre me acusam de calúnia, injúria e difamação. Dizem que desprezo deus solenemente e, por isso, se escandalizam, uma vez que votam profunda adoração por ele. Para arrematar, reverberam a nave dos templos com imprecações, porque me têm como idólatra.
Nisso lá têm razão os adoradores de deus. De fato, tenho os meus ídolos. Os dos 60 são de minha predileção. Eles foram formidáveis. Porque leves, puros, ingênuos, loucos e anárquicos eram humanos, profundamente. Ídolos em idílio com utopias possíveis, não fossem os crentes no deus único. A conjuntura era de crise aguda dos valores defendidos por párocos e generais. Estes importaram órgãos explícitos de repressão, aqueles providenciavam a caridosa extrema-unção.
Na lateral oposta da nossa esfera mundana, já vinham, há algum tempo, conspurcando a materialidade da história, ciência da locução perfeita da verdade. Mais claramente, falo da adulteração de documentos, como o retoque de fotos para a supressão da qualidade correligionária dos traidores.
Imagina isso tudo hoje? Impossível. Os ídolos, aqueles dos 60, ruíram convertidos ao deus único de todas as profissões da fé: o maldito dinheiro. E os censores evoluíram. Hoje se dedicam à fina arte de suprimir a nudez que há na nudez dos corpos, concretos em carne ou retratados em pixels ou papel couche nas revistas e websites.
Tristes tempos, os amantes continuam a precisar de véus e sombras. E pensar que lá nos 60 parecia que tudo ia ser dado à luz. Hoje não há mais necessidade dos órgãos de repressão, porque há superabundância de órgãos de depressão.
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1.7.07
Topada na Pedra: Topázio?
Poetiza Drummond:
No meio do caminho,
Uma pedra.
Uma pedra
No meio do caminho.E agora José?
É perguntar:
O que és,
Em essência,
Pedra?Amálgama de pó!
Só?
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12:57 AM
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