Não se luta contra a realidade
porque viveu a vida que tinha de ser
Porque o ontem não é mais e o amanhã ainda não existe e pode, até, não existir, depende de nós a boa-vontade e a criatividade para a sua defesa.
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8:14 PM
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Marcadores: coragem, fidelidade à verdade, guerreira, paz interior, trabalho psíquico
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8:11 PM
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Marcadores: ateísmo, ateísmo santo, eros, realidade, tanatos, tempo, trabalho psíquico
E se eu fosse poeta
e tivesse somente um minuto
para o primeiro e último poema?
Antes, poeta não seria,
ou, se fosse, seria um sem poemas,
posto que não os havia escrito nenhum
até o momento dessa ideia doida
de poema de minuto.
No entanto, como sucede a todo poeta que se preza
e que escreve na primeira pessoa,
o poema seria personalíssimo,
sanguíneo,
mucoso e, para dizer o comum,
visceral.
Mas o fato é que este poeta catou o minuto
e não, ao contrário, foi por ele colhido.
De modo que o poema se apresenta esbatido em tons violáceos.
Sem sangue, portanto,
mucos
ou vísceras.
Um poema que,
como os demais poemas,
passou-se em um minuto,
bestamente.
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7:46 AM
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Marcadores: alimento, metalinguagem, realidade
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11:39 PM
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Marcadores: brasil, consumo, fidelidade à verdade, heroísmo, memórias, viver em sociedade
A luz da lua,
lívida,
atordoa a cabeça nua.
Quereres mil.
Do não
jogo fora o til.
Com a nau ancorada
vou zarpar
por um mar revolto,
lunar.
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2:09 AM
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Marcadores: coragem, crise existencial, liberdade, loucura, tanatos, trabalho psíquico
Hoje acordei
e o mundo
estava nele mesmo
os carros
e os ônibus
subiam em algazarra
à minha cama
já ela
não mais
emolduraria minha janela.
Embora eu não quisesse
ela se foi
foi pra não voltar
veio a morte
e a levou
levou-a
para longe do meu olhar
Para ela agora
não há mais
carros
ônibus
janela
e eu.
Para mim
foram-se
os carinhos
um roçar de pele
o ronronar matinal.
Ela se foi
para não mais voltar,
minha gata
Negra Li
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10:31 PM
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Marcadores: animais, companheirismo, filia, luto, saudades, tanatos
Com serenidade e paz
a memória se faz
e dela a realidade perdida
brota brejeira
A voz ao longe
do verdureiro na feira
O verde matizado
da mata
O rubro intenso
do batom da mulata
A voz do meu amor
a dizer juras eternas
em um absoluto atemporal
que por tudo se espraia
O manequinho
apregoando o jornal
Alegria, alegria,
Caetano cantando loas ao Sol.
Domingo no Maraca
com o antigo futebol.
Tudo, enfim, que foi bom
surge
e nos dá
a mão
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2:06 PM
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Marcadores: alimento, anos 70, brasil, caetano veloso, futebol, infância, inspiração, leveza, liberdade, memórias, passado, paz interior, rio de janeiro, usina da tijuca
O sítio meu no mundo
é pequeno,
mero aceno
num mar de lenços multicores.
Agonia sem fim
esse vazio em cujo espaço
não caibo,
porque não há como preencher.
Meu lugar no mundo
é menor que eu,
porque sou inteiro o mundo todo
e mais
e, portanto, sou somente nada.
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9:54 AM
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Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, crise existencial, depressão, estética da alma
Era uma vila operária habitada por trabalhadores da fábrica de telhas e da de tecidos Maracanã. A lida era dura. Labutavam muito. Iam dormir com as galinhas e com os galos despertavam. Isso em um tempo em que o ditado se dava literalmente, quando, na Usina da Tijuca, ainda se morava em casas com galinheiros e em que os galináceos andavam soltos pelas ruas, ciscando ali e acolá.
Pois bem, o fato é que todos se retiravam por volta da hora do Angelus, para fazer suas preces e, ato contínuo, dormir.
Havia vezes, entretanto, em que a rotina era quebrada. Das casas ouvia-se um som surdo e, em resposta, seus moradores saíam em camisolões alvoroçados. Iam atrás dela, a jaca que caíra, em aberta competição. Até que se ouvia um grito de rasgada euforia. Um deles a havia encontrado. Catava o troféu e em atitude vencedora, o levava secundado por uma procissão. O felizardo adentrava a sua casa, retalhava a jaca e compartia sua vitória com os demais. Todos teriam jaca para o café da manhã seguinte.
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2:38 AM
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Marcadores: alimento, bondade, brasil, companheirismo, competição, filia, leveza, memórias, rio de janeiro, usina da tijuca
Joeirar
O que se vai falar.
Pensar muito
No intuito
De não dizer
Asneira.
Mas, se são
As palavras
Como lavas
De um vulcão ativo,
Como suster o crivo
Se for para dizer:
Mulher,
Sou louco
Por você!
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9:43 PM
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Marcadores: a musa, autocrítica, coragem, eros, fidelidade à verdade, loucura, relação amorosa
No meio da noite
Acordados
Por sonhos
Somos
Poder
O mundo supor
Nossos desejos interditos
Apavora e encanta
A batalha maior
Vencer o outro em nós
E gozar nos campos do real
As fantásticas miragens da fantasia
O pensamento
Nau dessa viagem
Do conhecimento de nós
Dor e delícia nossa
Nos leva
Quanto mais fundo
E longe se vai
Menos dói a dor
E mais deliciosa a delícia
De ser e saber o que se é
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5:58 AM
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Marcadores: coragem, covardia, ditadura, dor, eros, fidelidade à verdade, insônia, liberdade, loucura, o Outro, realidade, repressão, sonhos, tanatos, trabalho psíquico, viver em sociedade
Tentei dormir em vão.
Levantei-me,
Então
Fui sonhar.
Fumaças no ar,
Mil projetos,
Mil sonhos vívidos,
Ávidos por serem vividos.
Amanheceu,
Acontece a realidade:
Os sonhos serão pelo dia olvidados?
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Unknown
às
3:57 AM
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Ferve
Minha verve.
Quando Escrevo,
Exponho meu nervo.
Nervuras do real
Racham minha alma
Como raios
Na noite lúgubre.
A perfídia dos,
Como eu,
Homens
Instila
Na tinta negra
O seu fétido.
Assume o ar
O peso do rinoceronte
E sua cegueira o envenena;
Translúcido e opaco,
Sufoca-me
Por não me deixar
Olhar e ver
A minha face.
Ergo-me
Ao Espelho.
O visto
Apavora,
Devora.
Como narciso,
Terrificado,
Demora-me
A Eternidade
A Visão
De Mim(?).
O horror
Dessa Dor
Purga-me,
Apartando-me do humano Ser
Sem deixar de ser Humano
E passo vidas, então,
Aprendendo a só ser
Um Humano Ser Humano.
Publicado no e-zine 16 do Bar do Escritor
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3:49 PM
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Marcadores: auto-estima, auto-imagem, autocrítica, covardia, crise existencial, dor, eros, tanatos, tempo, trabalho psíquico, vaidade
O tempo é uma dor que persiste em si
por isso também é a sua cura
O melhor remédio
a pior tortura
Dias e dias
passam arrastados por mim
Não há dor
que o tempo não cure
Mesmo a dor pelo tempo secretada
Aflição do tédio
escorrendo-me lento pela cara
De uma hora para outra
passa o tempo
e a dor do tempo passa
Foi ela
que enfim
apareceu na praça.
O tempo veloz
acelerado por aquela voz
as risadas
as brincadeiras
De súbito tudo se atira em precipício soturno:
Nane se vai
e me submerge no escarro do tempo
Quantos dias durarão as próximas horas?
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10:22 AM
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Fiquei mais só:
um pedaço da história
da minha infância,
adolescência,
juventude
e idade adulta
se foi agora
com a partida da minha avó frondosa.
Ela me deixou
mais triste
e feliz.
Tristeza de não mais vê-la,
de não mais poder aninhar-me
no regaço da sua dupla maternidade
na linha reta
que a ligava a mim
por intermédio de minha mãe.
Felicidade de lembranças claras e luminosas:
ela no seu jardim diariamente
às voltas com latas, vasos e vidas pintadas de branco.
A terra acomodada com carinho,
com a fé, a força e a determinação
de que era fértil aquela terra e bom o adubo,
de que suas sementes vingariam em rebentos,
de que seus rebentos cresceriam e viriam a ser árvores um dia,
de que as árvores floresceriam,
flores das quais adviriam vários e saborosos frutos:
Aires, que deve estar, radiante, de volta à sua companhia,
Ariza,
Eu,
Raquel,
Soráya,
Fábio,
Luciana,
Felipe,
Fabrício,
Alessandra,
Natália,
Juliana,
Ígor,
Danilo,
Amanda
Luísa ...
Em todos, esteja certa minha avó,
viceja sua seiva.
Que a paz do dever cumprido em alegre harmonia lhe acompanhe,
sempre.
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9:01 PM
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Marcadores: agape, alimento, companheirismo, coragem, eternidade, família, heroísmo, infância, leveza, luto, maternidade, memórias
pelo aniversário da Nane, o meu Amor
Este amor é tanto
que não há mar
que suporte em sua umidade
o fogo deste amar
será porque que a amo assim
inteiro?
não sei
só sei que é assim.
nosso amor
guerreia
fazendo as pazes
pacifica
fazendo guerras
um caldeirão de emoções
as mais loucas
nos atormenta
e gratifica
nos dói
e sara
e ao final
estaremos exaustos
e com um sorriso bobo na boca
que assim seja.
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Unknown
às
12:22 PM
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Marcadores: a musa, casal, companheirismo, eros, filia, relação amorosa
A todos os anos novos
Remendo
Todos os medos,
Meros arremedos
Com textura aparente de coragem.
Estiagem
Entre tempestades
De renovados assombros
E mais escombros
Sobre mim.
Medo madrugador
De linhas fracas
A arrebentar
Na minha Alma.
Calmo,
Corro a tomar a agulha do Real,
Para com a minha linhagem,
Costurar um elmo,
De lona tosca e bruta,
Do meu sangue rubra,
Para que me cubra
Com a verdadeira textura da coragem
Contra os fatídicos destroços
Dos tempos futuros de outras ilusões,
Rainhas destronadas
Do espírito meu.
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Unknown
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3:42 PM
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Marcadores: coragem, covardia, dor, fidelidade à verdade, heroísmo, insônia, realidade, tempo
Hoje acordei de um sonho dos Deuses
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Unknown
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1:23 AM
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Marcadores: consumo, dor, indecisão, liberdade, realidade, tempo, totalitarismo
Aonde vou
depois de tudo.
Depois de ninguém mais me ouvir ou ver
por ter-me tornado um nada invisível e mudo.
Não sei para onde vou,
mas sei que agora sou.
Depois não sei mais se serei
nem, se for, se serei pior ou melhor.
Sei onde estou a agora:
sobre essa terra que me dá chão,
ao sabor desta brisa que me beija inteiro.
O que sei é que estou vivo:
durmo e acordo,
como e bebo,
defeco e urino,
tenho amigos e inimigos,
prazeres e dores.
Vivo simplesmente a grandiosidade da vida que que me foi dada.
É o meu jeito de reverenciá-la,
de tentar sair dela quase a deixando como a encontrei:
sagrada e intocada para quem virá.
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Unknown
às
3:37 PM
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Marcadores: ambiente, eternidade, ética, fidelidade à verdade, filia, futuro, o Outro, paz interior, presente, tempo, viver em sociedade